UE empenhada no combate a bactéria de destrói plantas e árvores -- Governo

Os estados-membros da União Europeia, incluindo Portugal, e a Comissão Europeia estão "todos empenhados" na luta contra a 'xylella fastidiosa', a bactéria que destrói várias plantas e árvores, disse à Lusa o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação.

Luís Medeiros Vieira, que participou, hoje, em Paris, numa reunião de alto nível sobre a 'xylella fastidiosa', explicou que os estados-membros, a Comissão Europeia, os institutos nacionais de investigação e os próprios agricultores devem "colaborar para debelar esta praga".

Trata-se de uma bactéria que afeta o xilema, tecido das plantas onde circula a seiva, e é disseminada por insetos (mais de 300 espécies), que afeta as culturas agrícolas e espécies florestais de grande importância económica, como árvores de fruto ou videiras.

"Estamos todos empenhados, quer os estados-membros quer a Comissão, no sentido de podermos criar condições para evitar que a praga se propague cada vez mais na União Europeia, portanto, que haja uma contenção. Ao mesmo tempo, também temos que envolver todos os interessados: os nossos institutos de investigação, os nossos agricultores", afirmou o governante.

A reunião juntou representantes de dez estados-membros, incluindo o ministro francês da Agricultura e da Alimentação, Stéphane Travert, e o comissário europeu da Saúde e da Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis, e, por sugestão de Portugal, as conclusões vão ser apresentadas ao conselho de ministros europeus da Agricultura, em janeiro, e vai ser criado um grupo de trabalho para elaborar um código de boas práticas para deteção e controlo da 'xylella'.

Luís Medeiros Vieira explicou que hoje "foi dado um passo importante que foi sensibilizar a União Europeia para poder também compensar os agricultores" em termos financeiros se forem afetados pela destruição das suas árvores.

"A Comissão está empenhada no reforço em termos de verbas financeiras que permitam, no caso de se verificarem situações que levem à destruição das árvores atingidas, poder também haver uma comparticipação unitária para os agricultores atingidos", declarou.

O secretário de Estado da Agricultura e Alimentação destacou, ainda, que "existe uma verba na ordem dos 10 milhões de euros que a União Europeia disponibiliza para efeitos de apoio à investigação e à prospeção", que vai desde "o apoio ao pagamento das análises, ações de sensibilização" e ações de investigação "com vista a encontrar soluções para debelar esta doença".

O governante sublinhou, também, que "o objetivo último é a erradicação" da 'xylella fastidiosa' mas como "neste momento ainda não existem formas de a erradicar", os estados-membros devem tomar um conjunto de medidas de prevenção.

"É necessário tomar um conjunto de medidas em todos os estados-membros que vão desde a vigilância, desde a deteção precoce da própria praga e, ao mesmo tempo, também cuidados acrescidos nas relações comerciais entre os vários países, nomeadamente, na importação de plantas que provêm de países que possam ter casos detetados desta praga", continuou.

Luís Medeiros Vieira vincou que "até ao momento não foram detetados quaisquer casos" em Portugal e que há um controlo ao nível das fronteiras que permite detetar que o material vegetal importado não tem qualquer problema", assim como planos de vigilância em execução e um plano de contingência nacional.

O governante acrescentou que a reunião de Paris pretendeu "encontrar uma posição solidária de todos os estados-membros da União Europeia" para "o maior problema, até ao momento registado na União Europeia, de caráter fitossanitário" e que "Portugal também é um país de risco".

"Sim, estamos preocupados. Portugal também é um país de risco. É um país mediterrânico, tem condições em termos climatéricos e, ao mesmo tempo, também a sua exposição em termos atlânticos. São [condições] propícias para a propagação deste doença", concluiu.

A bactéria 'xylella fastidiosa' foi detetada pela primeira vez na Europa em 2013, em oliveiras adultas, na região de Apúlia, em Itália, onde devastou uma extensa área de olival.

Em 2015, foram detetados focos em plantas ornamentais na Córsega e no sul de França e, em 2016, em plantas de aloendro na Alemanha e em plantas de cerejeiras num viveiro nas Ilhas Baleares, em Espanha.

O mais recente caso de presença da bactéria na Europa foi confirmado no passado mês de junho num pomar de amendoeiras em Alicante, na região de Valência, em Espanha, tratando-se do primeiro caso na Península Ibérica.