Trump nega divulgação de nota democrata sobre investigação de conspiração russa

O Presidente norte-americano recusou hoje a divulgação de um documento democrata confidencial que rejeita acusações de abuso de poder do FBI e do Departamento de Justiça na investigação da ingerência russa nas presidenciais, invocando razões de "segurança nacional".

O memorando democrata "contém muitas passagens classificadas como secretas e particularmente sensíveis", sustentou Don McGahn, conselheiro jurídico da Casa Branca, para explicar a decisão de Donald Trump, numa mensagem enviada ao presidente da Comissão de Serviços Secretos da Câmara dos Representantes.

Os democratas exigiram que este documento fosse tornado público após uma iniciativa semelhante dos republicanos relativa ao seu próprio memorando sobre o mesmo caso, que mereceu o aval de Trump.

A 02 de fevereiro, o Presidente autorizou a divulgação do memorando republicano, depois de um processo de revisão do seu conteúdo na Casa Branca, e no dia seguinte declarou na rede social Twitter que o documento republicano demonstra que "não houve conluio nem obstrução" à investigação judicial sobre a alegada ingerência russa nas eleições para a Casa Branca.

"Este memorando inocenta totalmente 'Trump' no inquérito. Mas a caça às bruxas russa continua", afirmou o Presidente dos EUA, numa mensagem publicada na rede social Twitter, falando de si próprio na terceira pessoa.

O relatório em questão -- cuja divulgação o Presidente autorizou, contrariando as advertências do FBI e do Departamento de Justiça - foi elaborado pelos republicanos da Comissão de Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, presidida pelo republicano luso-descendente Devin Nunes. FBI e Justiça investigam as alegadas ligações e conluio entre o Governo russo e elementos de topo da campanha de Trump.

O documento baseou-se em informação classificada como secreta e alega que o FBI abusou dos seus poderes de vigilância no decorrer da investigação à alegada ingerência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016.

Ao permitir a publicação deste documento, parcial e tendencioso, de acordo com especialistas independentes, Trump causou a indignação da oposição democrata.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...