Timor-Leste/Eleições: Socializar um programa político na aldeia de Karantina

Algumas cadeiras verdes de plástico, uma bandeira do PSD timorense atada toscamente a um bambu, uma pequena mesa azul com um napperon rosa e branco e uma dúzia de habitantes da aldeia de Karantina chegam para fazer campanha eleitoral.

O cenário escolhido pelo Partido Social Democrata (PSD) é tão rudimentar como a aldeia, um aglomerado de casas de paredes e telhados de zinco onde sobressaem os edifícios que dão nome á zona: é Karantina porque era ali que, durante a ocupação indonésia, estava o armazém da Quarentena.

Então, pouco mais tinha que esses armazéns. Pouco a pouco, depois da independência de Timor-Leste, a zona foi sendo ocupada e hoje acolhe um número indeterminado de famílias, grande parte oriunda de outras zonas de Timor-Leste.

Norberto de Jesus, 22 anos, é de Atsabe, perto de Ermera, e hoje tem o quiosque mais bem colocado da praça. Um ano mais velho, Pedro dos Santos, estudante, explica que muitas famílias são de Viqueque, a sudeste, de Suai, a sul, ou de Liquiçá, a oeste.

João Gonçalves, presidente do PSD - já foi ministro de Economia no IV Governo constitucional, o da Aliança de Maioria Parlamentar (AMP) - veio ao bairro, nos arredores de Díli, para "socializar" o programa.

A conversa com a população decorre à sombra de uma grande Ai Matan Ducur, a árvore que "está sempre a dormir", cujas folhas, à noite, se fecham, a 'descansar'.

Um pequeno grupo de habitantes aproxima-se para ouvir as posições do PSD. Ficam em semicírculo alargado ignorando a oferta dos líderes políticos para que se aproximem mais, porque isto é um "diálogo".

Muitos continuam nos seus afazeres. Um jovem estudante na porta ao lado escreve num computador, duas miúdas retiram água de um poço que ainda tem, meio deslavada, a sigla da UNICEF. Mais perto do mar, sentado ao contrário numa cadeira de plástico, um 'cliente', de espelho vermelho na mão, corta o cabelo.

O recinto central é como o de tantos bairros, especialmente estes que surgiram do nada em vários pontos dos arredores da capital.

O partido já fez onze comícios, mas Gonçalves disse à Lusa que continua a ser importante estes "dias de folga" de grandes encontros, para momentos de "socialização, dar a conhecer o partido, o que fez, o que contribuiu e o que pretende para o futuro".

Num curto discurso - antes de outro membro do partido ensinar como se vota no PSD, marcando a casa '18' no boletim de voto - João Gonçalves recorda o contributo que o PSD já deu a várias questões, desde a introdução da pensão aos idosos à merenda escolar, da mecanização agrícola a programas sociais.

Agora, disse, o partido desenvolveu um programa para "refletir a realidade" do país "e responder às necessidades e aspirações do povo". Timor-Leste precisa de "mais diversificação económica", de investir noutros setores para não estar dependente do petróleo, explica.

Moderadamente otimista, Gonçalves está confiante que o partido poderá conseguir voltar ao Parlamento - mas admite que é difícil ultrapassar a barreira para o fazer: 4% dos votos válidos.

Se em Karantina os votos forem para os políticos que os visitam, o PSD pode ter arrecadado alguns hoje.

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