Tancos: CDS mantém pedido de inquérito parlamentar na agenda

O CDS-PP vai manter na sua agenda o inquérito parlamentar ao furto de material militar de Tancos, em 2017, após a reunião da comissão de Defesa em que voltou a pedir a demissão do ministro Azeredo Lopes.

"É uma questão que merece ser ponderada, obviamente. O CDS não exclui qualquer cenário", afirmou o deputado centrista António Carlos Monteiro após a reunião da comissão parlamentar de Defesa Nacional, que se prolongou por quase duas horas, sobre o roubo de armamento em Tancos.

O CDS-PP, acrescentou, "não exclui qualquer cenário", face "à gravidade [da situação] para a qual o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas tem vindo a chamar a atenção".

António Carlos Monteiro apontou contradições entre o que o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, disse depois de ter sido recuperado parte do armamento, em outubro de 2017.

Azeredo Lopes insistiu hoje que se referiu à recuperação das armas com base num comunicado da Polícia Judiciária Militar (PJM) que não fazia referência, alegou o deputado do CDS-PP, à falta das munições de 9 milímetros.

Para o CDS-PP, Azeredo Lopes "não tem condições para continuar a ser ministro" e os centristas voltaram a pedir a sua demissão.

Durante a reunião, o deputado democrata-cristão João Rebelo acusou o Governo e o ministro de não esclarecerem o que aconteceu e insistiu na pergunta sobre quem o informou de que todo o material tinha sido recuperado em outubro.

"Doze meses depois, o senhor ministro continua sem saber o que lá havia, sem saber o que lá aconteceu e sem saber o que de lá desapareceu", afirmou.

Para António Carlos Monteiro, que repetiu argumentos de João Rebelo, Azeredo Lopes "demonstrou hoje que já não devia ser ministro".

"Disse que tinham sido recuperadas as armas. Hoje sabemos que enganou os portugueses e diz que já não pode dar essa mesma garantia", exemplificou Carlos Monteiro.

O furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada - foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e grande quantidade de munições.

Em 18 de outubro passado, a Polícia Judiciária Militar recuperou, na zona da Chamusca, quase todo o material militar que tinha sido furtado da base de Tancos no final de junho, à exceção das munições de 9 milímetros.

Contudo, entre o material encontrado, num campo aberto na Chamusca, num local a 21 quilómetros da base de Tancos, havia uma caixa com cem explosivos pequenos, de 200 gramas, que não constava da relação inicial do que tinha sido furtado, o que foi desvalorizado pelo Exército e atribuído a falhas no inventário.

Citando partes do inquérito do MP relativos à investigação judicial ao furto de Tancos, o jornal Expresso referia, em 14 de julho, que, além das munições de 9 milímetros, há mais material em falta entre o que foi recuperado na Chamusca, como granadas de gás lacrimogéneo, uma granada de mão ofensiva e cargas lineares de corte.

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