Symington em projeto Europeu que estuda efeito das alterações climáticas nas uvas

A empresa Symington integra o projeto europeu VISCA que possui um orçamento de 3,2 milhões de euros para estudar as alterações climáticas na vinha e desenvolver um serviço de clima, com informação precisa a nível temporal e espacial.

O VISCA - Vineyards Integrated Smart Climate Application - é um projeto que pretende analisar o impacto das alterações climáticas na produção de uvas na Europa, que se vai desenvolver ao longo de três anos e junta 11 parceiros também de Espanha, Itália, França e Reino Unido.

A Symington Family Estates, empresa produtora de vinho no Douro, é a representante portuguesa nesta iniciativa que junta também centos de investigação ligados à vinha e ao clima, outras empresas que poderão utilizar o serviço.

"Nós temos que estar preparados, com as ferramentas todas a que podemos recorrer, para procurar mitigar o efeito das alterações climática", afirmou Fernando Alves, responsável pela área de desenvolvimento e investigação da Symington.

No âmbito do projeto, será desenvolvido um Sistema de Serviço de Clima (Climate Service -- CS) e de suporte à tomada de decisão (Decision Support System -- DSS), o qual integrará especificações de clima, agrícolas e as definidas pelos utilizadores finais, de modo a desenvolver estratégias de adaptação de curto e médio prazo às alterações climáticas.

Acessível 'online', este serviço fornecerá informação climática para um determinado momento e local, que ajudará os produtores vitícolas na tomada de decisões.

"Poderemos dispor de informação para um local específico de como vai estar o clima nos próximos três ou seis meses, se vamos ter uma temperatura acima do normal ou um período de seca mais prolongado, ou um outro qualquer regime, ou um evento específico que pode acontecer na vinha", referiu.

E continuou: "isso permite-nos desde logo programar, planear ações, para poder mitigar o efeito".

O projeto arrancou este ano, marcado pelo tempo quente e uma seca extrema que anteciparam a vindima no Douro em cerca de três semanas, comparativamente com um ano normal.

"Existem algumas práticas culturais que vão ser estudadas neste projeto, ao nível da gestão da parede de vegetação da videira, que permitem reposicionar o seu ciclo vegetativo e, no fundo, levar outra vez a videira a terminar o seu período de maturação, naquilo que nós vamos considerar como período ideal para aquela casta e aquele local", referiu Fernando Alves.

A empresa, que é produtora de várias marcas de vinho do Porto e do Douro, possui duas vinhas experimentais onde estuda o comportamento de várias castas de uvas, as quais vai disponibilizar também para o desenvolvimento do projeto.

O VISCA será validado por demonstrações reais com os utilizadores finais em três locais de demonstração em Espanha, Itália e Portugal.

O projeto é cofinanciado ao abrigo do programa Horizonte 2020 e possui um orçamento de 3,2 milhões de euros.

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