'Startup' portuguesa procura nativos para melhorar sistemas de inteligência artificial

A 'startup' DefinedCrowd, incubada no Parque da Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, está à procura de cerca de dez mil pessoas para ajudarem a "melhorar o reconhecimento" da língua portuguesa em sistemas de inteligência artificial.

Em entrevista à Lusa, Daniela Braga, fundadora e diretora da empresa de base tecnológica em fase de desenvolvimento DefinedCrowd, explicou que, atualmente, os sistemas de inteligência artificial existentes "não apresentam níveis satisfatórios de performance".

"As interações com estes sistemas ainda deixam muito a desejar. Na maioria dos casos, isto é um problema de dados", adiantou Daniela Braga.

Segundo a antiga aluna da Universidade do Porto, foi com o objetivo de "fornecer dados de treino" para os sistemas de inteligência artificial que surgiu, em 2015, a DefinedCrowd.

Através de "uma plataforma inteligente", onde os clientes personalizam o tipo de dados que necessitam, a empresa oferece resultados "em tempo útil, com alta qualidade e escaláveis".

"Para conseguirmos fazê-lo e garantirmos qualidade, rapidez e escala, recorremos a duas componentes: aos nossos próprios algoritmos de 'machine learning', e a uma comunidade, chamada Neevo by DefinedCrowd, que realiza micro tarefas 'online' para enriquecer e estruturar dados", esclareceu.

Neste sentido, a 'startup' está à procura de cerca de dez mil portugueses que utilizem o sistema operacional móvel da Apple Inc.(iOS) e que possam realizar diversas tarefas, entre as quais anotar partes de frases e imagens, indicar o sentimento principal de um texto ou até validar se um áudio corresponde ao texto apresentado.

De acordo com Daniela Braga, os nativos devem, por isso, através da plataforma Neevo by DefinedCrowd, criar uma conta, instalar a aplicação nos dispositivos iOS e a partir daí realizar as tarefas solicitadas.

"Este projeto em específico vai estar disponível na plataforma Neevo by DefinedCrowd até ao início de fevereiro. Os nativos portugueses que se inscreverem e realizarem uma primeira tarefa de amostra receberão 4.95 dólares norte-americanos [4,35 euros]. Se as gravações cumprirem os requisitos apresentados nas instruções, cada pessoa será convidada para fazer mais gravações pelas quais receberá mais 15 dólares [13,18 euros]", sublinhou.

À Lusa, Daniela Braga adiantou que para 2019 a DefinedCrowd, que conta com parceiros como a Microsoft, Amazon, IBM e Mastercard, tem um "objetivo muito ambicioso": quer tornar-se a "empresa número um de dados para inteligência artificial do mundo".

"O nosso foco este ano vai estar não só na expansão da lista de clientes de topo, mas também das parcerias com líderes da indústria que estão na vanguarda da evolução da inteligência artificial. Tudo isto implicará um grande crescimento da nossa equipa, especialmente nos escritórios de Lisboa e Porto", acrescentou.

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