Sindicalistas da América Latina e da UGT apelam à união sindical em defesa dos trabalhadores

Sindicalistas da América Latina e da UGT apelaram hoje, em Lisboa, à união dos sindicatos a nível mundial para melhor defenderem os direitos dos trabalhadores e exortaram a Organização Internacional do Trabalho (OIT) a promover o trabalho digno.

A posição foi assumida num documento, a Declaração de Lisboa, que os sindicalistas aprovaram no final de uma conferência internacional sobre "o fortalecimento sindical na América Latina, Caribe e Europa".

Os participantes reafirmaram o compromisso com a luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores, do reforço da democracia e pela unidade de ação sindical.

A conferência internacional juntou dirigentes de sindicatos da UGT e dirigentes de 20 confederações sindicais da América Latina, que representam 25 milhões de trabalhadores, filiadas na Alternativa Democrática Sindical das Américas (ADS), criada há dois anos.

Catarina Tavares, secretária internacional da UGT, explicou à agência Lusa que o encontro tinha como objetivo debater a situação social, política e económica nos diversos países. "Esta troca de experiências foi muito útil para todos, pois aprendemos uns com os outros, apesar de termos realidades muito diferentes", disse a sindicalista.

A dirigente da UGT referiu, como exemplo, que, enquanto na Europa o movimento sindical debate a globalização, os sindicatos de muitos países da América Latina não têm liberdade sindical.

"Dos testemunhos ouvidos, concluímos que em países com défice de democracia, ser sindicalista é algo muito difícil", considerou.

A declaração aprovada alerta para a degradação das condições de vida dos trabalhadores da América Latina e Caribe, com o aumento do desemprego e da precariedade e com a destruição dos sistemas de Segurança Social e de saúde.

Os sindicalistas defenderam ainda a necessidade de unidade entre os sindicatos dos vários países para defesa da democracia e da liberdade e alertaram para a violação dos direitos sociais e sindicais em países como a Venezuela, Argentina, Brasil, México, Bolívia, Cuba e Nicarágua, que não cumprem as normas da OIT.

Os sindicalistas de Portugal, Brasil, Colômbia, México, Peru, Chile, Curaçao, Aruba, Equador, Bolívia, El Salvador, Costa Rica, Venezuela e Cuba estiveram em Lisboa a partilhar experiências e conhecimentos e a analisar problemas do emprego e da economia, do meio ambiente e relacionados com a igualdade de oportunidades, com as liberdades políticas e sindicais e os direitos humanos, com destaque especial para o direito ao trabalho.

A Globalização, o Futuro do Trabalho e o papel dos Sindicatos foram temas em debate, que contaram com a abordagem do secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, e da diretora da OIT-Lisboa, Mafalda Troncho.

No final do encontro, uma delegação da conferência teve oportunidade de se reunir com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a quem entregou a declaração aprovada.

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