Senado dos EUA desafia Trump ao aprovar resolução contra guerra no Iémen

O Senado dos Estados Unidos da América desafiou hoje o Presidente do país, Donald Trump, ao aprovar, por 63 votos contra 37, uma resolução que visa acabar com o envolvimento dos norte-americanos na guerra liderada pela Arábia Saudita no Iémen.

Além do desafio a Trump, os senadores sinalizaram, de forma inequívoca, a sua vontade de punir os dirigentes da Arábia Saudita pelo seu papel no assassínio do jornalista Jamal Khashoggi.

Esta votação foi uma censura tanto aos sauditas, como ao Governo de Trump, que tem deixado claro que não tenciona que o assassínio de Khashoggi perturbe o relacionamento com os dirigentes de Riade.

Os secretários de Estado, Mike Pompeo, e da Defesa, James Mattis, foram hoje ao Capitólio para pressionar um voto contra a resolução, que pretende acabar com a assistência militar dos EUA à coligação liderada pelos sauditas, que vários defensores dos direitos humanos dizem que está a destruir o Iémen e a sujeitar os civis a bombardeamentos indiscriminados.

A votação mostrou que um significativo número de republicanos estava com vontade de romper com Donald Trump, para exprimir o seu profundo descontentamento com a Arábia Saudita e a resposta dos EUA ao assassínio de Khashoggi no consulado saudita em Istambul, no passado mês.

A espionagem norte-americana tinha concluído que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pelo menos, teria de ter conhecimento do projeto, mas Trump tergiversou na responsabilização do assassínio.

Khashoggi, que vivia nos EUA e escrevia para o The Washington Post, era um crítico público de Bin Salman.

O voto de hoje abre o caminho para um debate da resolução no Senado, durante a próxima semana.

Na terça-feira, mais de cinco dezenas de personalidades nos Estados Unidos da América enviaram uma carta aos líderes republicano e democrata no Senado a solicitar que o Congresso acabe com a participação não autorizada norte-americana na guerra no Iémen.

Entre os subscritores estão o Prémio Nobel da Paz 1997, Jody Williams, dois antigos embaixadores dos EUA no Iémen, o ex-chefe de gabinete do ex-secretário de Estado Colin Powell, ex-analistas dos serviços de informações especialistas na área e académicos, como Noam Chomsky, Dani Rodrik ou John Mearsheimer.

No texto, apelam ao republicano Mitch McConnell e ao democrata Chuck Schumer para que façam "tudo o que puderem" para que seja aprovada a resolução apresentada por três senadores -- o independente Bernie Sanders, o republicano Mike Lee e o democrata Chris Murphy -- que visa aquele objetivo.

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