Revisores manifestam-se hoje contra administração da CP em Lisboa

Os revisores dos comboios e trabalhadores das bilheteiras manifestam-se hoje na Calçada do Duque, em Lisboa, para exigir "o cumprimento dos acordos celebrados" com a administração da CP -- Comboios de Portugal.

Esta ação não irá causar perturbações na circulação de comboios, avançou à agência Lusa o presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), Luís Bravo.

Em comunicado, a estrutura sindical justificou a manifestação com o argumento de que, "com a atual administração da CP, os trabalhadores e os utentes têm vivido um período negro, no que ao transporte ferroviário diz respeito".

O SFRCI salientou que "os utentes são diariamente confrontados com supressões de comboios, comboios lotados e alterações constantes aos horários, de modo a que o comboio deixe de satisfazer as necessidades destes, com graves prejuízos para a imagem e reputação da empresa e dos seus trabalhadores".

Além disso, o SFRCI atribui à administração da CP vários incumprimentos, nomeadamente na "compra e aluguer de material circulante de modo a evitar a rutura dos serviços" e no "recrutamento de 88 trabalhadores para as bilheteiras e revisão".

Os revisores acusam ainda o presidente da empresa de falhar "no compromisso verbal e escrito" que assumiu, "em várias ocasiões desde que tomou posse em junho de 2017, de que o novo Acordo de Empresa e Regulamento de Carreiras entrariam em vigor a 01/10/2018, o que não aconteceu", garantiu o sindicato.

O SFRCI disse ainda que o líder da CP "convocou os sindicatos para uma reunião a realizar no dia 07 de novembro", mas que foi o administrador Abrantes Machado a aparecer para informar "que a reunião não se iria realizar, porque (passados oito meses) nada tinham para apresentar". Este encontro tinha como objetivo apresentar propostas de Acordo de Empresa e Regulamento de Carreiras, disse o sindicato.

A Lusa contactou a CP, que não comentou esta ação do sindicato.

O SFRCI fez greve no dia 01 de outubro, por considerar que o Governo está a "bloquear" os acordos feitos há um ano para a contratação de 88 trabalhadores para o serviço comercial da CP, entre os quais revisores e trabalhadores para as bilheteiras.

Segundo o sindicato, por falta de trabalhadores das bilheteiras, a CP deixa de cobrar milhares de euros, enquanto por falta de revisores existem comboios com cerca de 900 utentes (mais de oito carruagens ou mais de uma unidade indivisível) e que circulam só com um revisor em vez dos dois necessários, colocando em risco a segurança dos utentes.

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