Requiem à Memória de Camões de Bomtempo tem estreia moderna com instrumentos de época

A estreia moderna com instrumentos de época do Requiem à Memória de Camões, de João Domingos Bomtempo, acontece no dia 07 de julho em Castelo Branco, disse um dos organizadores à agência Lusa.

O Requiem à Memória de Camões, um projeto do músico João Paulo Janeiro, que assume a direção musical, e de Bernardo Mariano, um dos coralistas, é apresentado no dia 07 de julho na Sé de Castelo Branco e no dia seguinte no Mosteiro de Alcobaça, no âmbito do Festival CisterMúsica.

A primeira gravação deste Requiem será efetuada no Mosteiro de Alcobaça, de 09 a 12 de julho.

Em declarações à Lusa, Bernardo Mariano referiu existir "uma confluência de fatores e de efemérides" que levou a efetuar este projeto: "Completam-se 175 anos sobre a morte de Bomtempo, os 200 anos do início da escrita do Requiem, o lançamento do movimento de celebração dos 200 anos da edição monumental dos Lusíadas pelo Morgado de Mateus, José Maria de Sousa".

"Levando isto em linha de conta, e o historial de uma obra que nunca fora antes interpretada com instrumentos originais - e este é o interesse principal do projeto - decidimos avançar com esta iniciativa inédita, galgando a onda das efemérides", disse.

Sobre esta série de apresentações e a gravação em CD, Bernardo Mariano realçou "a estreia em Portugal da jovem contralto italiana Francesca Ascioti, que está a fazer uma carreira já muito relevante no repertório barroco, a participação de Carlos Mena, e vêm especialistas internacionais em trombone, oboé e clarinete clássicos e dois grandes violinistas especialistas em repertório barroco e clássico: Florian Deuter (concertino) e Monica Waisman".

A apresentação em Castelo Branco conta com a participação da Orquestra Flores de Música e do Coro Autêntico da Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco, sendo solistas a soprano Joana Seara, a contralto Francesca Ascioti, o tenor Giorgio d'Andreis e o baixo Manuel Torrado.

A estreia moderna do Requiem à Memória de Camões, em Castelo Branco, é dedicada à memória das vidas humanas e do património natural perdido nos incêndios registados na semana passada na região de Pedrógão Grande.

Em Alcobaça a apresentação do Requiem conta com os mesmos participantes, sendo o contralto Carlos Mena.

No dia 29 de novembro, a obra do compositor português é apresentada na sala do Senado da Assembleia da República, em Lisboa.

Bernardo Mariano reconheceu que Domingos Bomtempo tem andado arredado das salas de concerto, todavia considerou que "não se pode dizer que seja um compositor esquecido, mas a presença da sua obra em concertos e discos é ainda apenas esporádica, isolada".

"A nossa esperança é que este projeto sirva de chamada de atenção para a pertinência de se abordar a sua obra com instrumentos históricos, sendo nosso desejo que surjam outras interpretações (em concerto) e gravações utilizando o instrumentário de época", disse.

O Requiem foi composto em 1819, em Paris, e enquadra-se num movimento social apostado em implementar em Portugal uma renovação política e cultural, após as invasões francesas (1808-1814), tendo Bomtempo se empenhado no desenvolvimento da prática da música instrumental.

Domingos Bomtempo (1775-1842) "foi um virtuoso, além de excelente compositor", disse à agência Lusa em 2013 a pianista Gabriela Canavilhas, que gravou em CD peças suas.

Canavilhas, que lamentou o facto de "a história esquecer algumas figuras", referiu que "agilidade", "energia na execução", "nobreza e altivez no estilo" são referências constantes na imprensa estrangeira sobre as atuações do pianista português.

O compositor foi mesmo um dos primeiros 25 "associate members" da Philarmonic Society de Londres, em 1813.

Compositor da causa liberal de D. Pedro IV, com envolvimento na Maçonaria, Bomtempo tem uma obra fundamentalmente instrumental, privilegiando o piano e abarcando géneros de grande extensão, como a sinfonia, destacando-se as composições de cariz sacro.

Em 2013 foi descoberta a sua obra litúrgica "Tantum Ergo", de 1842, que estava dada como desaparecida, e que foi tocada pela primeira vez neste século, na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, pelo coro de câmara Lisboa Cantat e pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob direção musical de Cesário Costa,

A partitura de "Tantum Ergo" foi encontrada num leilão de uma coleção particular e, atualmente, faz parte do espólio da BNP.

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