Fundos comunitários para a agricultura aumentam produtividade no Oeste

Mais de 40 milhões de euros de investimentos na região Oeste estão a beneficiar de fundos comunitários do Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) 2014-2020, uma oportunidade para o setor aumentar a produtividade e a rentabilidade.

Entre eles está a Casa Santos Lima, que desde 2014 investiu 12,4 milhões de euros não só na quinta em Alenquer, onde se localiza a sede da empresa, mas também no Algarve, dos quais 25% a 35% foram comparticipados por fundos comunitários.

"Os fundos comunitários têm tido muita importância na plantação de vinhas, no reequipamento das adegas e das linhas de engarrafamento e na promoção internacional dos vinhos", explica o administrador José Luís Oliveira da Silva à agência Lusa.

Os investimentos, com as ajudas de Bruxelas, têm permitido promover melhor os vinhos face a outros concorrentes europeus, "acompanhar o mercado e crescer substancialmente nas vendas", registando este ano um crescimento de 30% face a 2017.

Com 400 hectares de vinhas e uma produção anual de 19 milhões de garrafas vendidas em 2017, a Casa Santos Lima emprega 170 trabalhadores e exporta 90% dos seus vinhos, tendo como principal mercado os Estados Unidos da América. Encerrou 2017 com um volume de negócios de 27 milhões de euros e espera atingir os 35 milhões no final deste ano.

No Cadaval, Rui Soares, 61 anos, 40 dos quais como agricultor, tem aproveitado os fundos comunitários na captação de água para rega e na aquisição de alfaias e máquinas agrícolas para não só "substituir a mão-de-obra escassa", mas também modernizar as práticas de cultivo.

"Se não tivéssemos fundos comunitários, não conseguiríamos suportar os encargos da atividade, porque é uma atividade de alto risco. Podemos ter uma boa campanha, mas de um momento para o outro podemos perder tudo com granizos, chuvadas ou ventos", sustenta o agricultor à Lusa.

Com os investimentos, conseguiu ampliar a área de cultivo para 30 hectares de pomares de pera rocha, cinco de maçã e seis de vinha, "aumentar produtividade em termos de qualidade e de quantidade, a pensar no consumidor, e minimizar os custos de produção", alcançando maior rentabilidade.

O empresário agrícola investiu 350 mil euros durante o anterior quadro comunitário e já tem aprovado pelo PDR um projeto de 200 mil euros, para o qual aguarda pelo dinheiro. Em ambos, conseguiu financiamento na ordem dos 30% a 40%.

O agricultor queixa-se, contudo, da falta de flexibilidade do PDR na alteração de projetos, obrigando os agricultores a cancelar a candidatura ou ter de a voltar a apresentar, e também "dos atrasos acentuados na aprovação de projetos".

Apesar de não ser o seu caso, Rui Soares conhece "agricultores que fizeram candidaturas em 2016 e 2017 e que ainda não têm a aprovação nem sabem o ponto de situação. Por vezes, caem no risco de fazer investimentos, sem a aprovação do projeto, e depois têm dificuldades".

Já a Casa Santos Lima tem "pareceres favoráveis" para projetos que candidatou a fundos comunitários no montante de 4,5 milhões, para os quais "não há dotação". Apesar de preencherem grande parte dos requisitos, não são projetos de jovens agricultores ou de organizações de produtores.

"Não somos subsidiodependentes, mas teríamos feito mais investimentos se tivéssemos beneficiado de mais apoios", sublinha José Luís Oliveira da Silva.

Só entre os 12 maiores projetos com fundos comunitários aprovados na região Oeste estão a ser investidos 40 milhões de euros nas áreas das frutas e hortícolas, vinho, suinicultura e leite e produtos lácteos, de acordo com dados revelados à agência Lusa pela Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo.

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