Relações entre igreja católica e o Estado são-tomense "estão bem" -- Núncio

O núncio apostólico para Angola e São Tomé e Príncipe garantiu hoje que as relações institucionais entre a igreja católica e o Estado são-tomense "estão bem", e o país é um "Estado democrático que respeita várias opiniões".

"As pessoas podem ter opiniões pessoais, vivemos num Estado democrático e se respeitam as várias opiniões, a nível institucional nós temos boas relações", disse o núncio apostólico para Angola e São Tomé e Príncipe, Petar Rajic, no final de uma audiência com o primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada.

Na primeira semana de setembro Patrice Trovoada advertiu o bispo da diocese de São Tomé, Manuel António, para não "comprometer as relações" entre São Tomé e Príncipe e o Vaticano.

"Nós temos relação de Estado a Estado com o Vaticano, o bispo tem de se informar antes de falar, para falar com propriedade e responsabilidade, senão fica-lhe mal e ele até compromete as boas relações que nós temos com o Vaticano", disse na altura o chefe do executivo a jornalistas.

Essas declarações surgiram devido a um comentário na sua página na rede social Facebook em que o bispo Manuel António criticava a participação de elementos da Unidade de Proteção dos Dirigentes do Estado (UPDE), juntamente com tropas ruandesas, em manobras militares que foram classificadas pelos partidos da oposição como um "assalto ao parlamento".

Neste comentário, o bispo questionou por que razão "os militares ruandeses foram fazer treino na casa da democracia. Será para intimidar os deputados?".

O representante da igreja católica deslocou-se ao arquipélago a pedido das autoridades para analisar o estado das relações entre a Santa Sé e São Tomé e Príncipe, considerando que "as opiniões pessoais não podem afetar as relações entre Estados".

"É desejo da Santa Sé para nós continuarmos as nossas boas relações de cooperação para o bem comum (...) vamos continuar o nosso bom trabalho para o bem da igreja católica", disse Petar Rajic, que defendeu "o direito à liberdade de opinião e da escolha da religião".

O núncio apostólico para Angola e São Tomé e Príncipe fez-se acompanhar no encontro com o primeiro-ministro pelo secretário da nunciatura apostólica, padre Piter Sykora.

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