Reitor da UNTL defende esforço conjunto para responder a desafios ambientais em Timor-Leste

O reitor da Universidade Nacional Timor Lorosa'e (UNTL), em Timor-Leste, disse hoje que o combate aos desafios ambientais exige um reforço da cooperação entre setor público e privado, mundo académico e sociedade civil, com medidas inovadoras e criativas.

"Ao assumir uma abordagem holística para o envolvimento público entre os investigadores e a sociedade civil, todos contribuímos para cultiva soluções para os problemas ambientais", disse Francisco Miguel Martins.

"Ao reforçar a cooperação e o diálogo entre as forças governamentais, organizações de cooperação internacional, empresários, professores, investigadores, estudantes e alumni da UNTL, estamos a promover um despertar da consciência ambiental e a relevar a importância da sua proteção", acrescentou.

O reitor da UNTL falava no arranque, no campus central, em Díli, da primeira Feira da Ciência, iniciativa promovida pelo Laboratório de Cidadania de Timor-Leste e apoiada por várias faculdades da universidade pública timorense.

O encontro, subordinado ao tema "Poluição (Saúde) Ambiental -- Cultivar Soluções para o Desenvolvimento Sustentável", promove durante toda a semana vários debates temáticos, com especialistas nacionais e internacionais.

Criado no ano passado na UNTL, o Laboratório da Cidadania desenvolve atividades de intervenção cívica e inovação social que promovem a participação ativa de toda a comunidade académica.

Francisco Miguel Martins disse que a família universitária tem obrigação de "contribuir para uma sociedade dialogante, que questiona, reflete e enfrenta os deságios que assolam e obstruem o desenvolvimento", inclusive na área ambiental.

"Analisar e debater sobre o ambiente é um propósito que deve mobilizar o interesse não apenas das diversas instituições públicas e privadas do nosso país, mas também o da própria sociedade civil, considerando a sua relevância para o futuro do nosso país", afirmou o reitor.

Demétrio Amaral, secretário de Estado do Ambiente, referiu-se aos passos que o Governo está a dar, especialmente no combate ao uso do plástico e ao lixo, afirmando que todos devem envolver-se no processo.

Amaral afirmou que a sustentabilidade dever ser principio guia do desenvolvimento e que as autoridades devem sempre, em todos os cassos, adotar uma estratégia preventiva, analisando o impacto das várias atividades e adotar estratégias de mitigação.

Intervindo no encontro, Alexandre Leitão, embaixador da União Europeia (UE) em Timor-Leste, referiu-se aos muitos desafios que o país enfrenta para lidar com as questões ambientais e à necessidade.

Notando a crescente consciencialização em torno aos temas ambientais em Timor-Leste e os crescentes esforços do Governo, o diplomata defendeu mais aposta no setor educativo, para que crianças e jovens sejam "motor" da mudança.

Além de um quadro legal adequado, de medidas adequadas de implementação e de formar de sancionar o incumprimento, Alexandre Leitão disse que é necessário envolver o componente tradicional.

"Não se mudam culturas, tradições e hábitos porque um legislador faz uma lei. A lei tem de ser equilíbrio entre virtude, doutrina e objetivos e princípios gerais mais a sua exequibilidade", disse.

Nesse sentido, se lei não "pegar nas partes boas da tradição e criar mecanismo para projetar e alavancar os interesses, dificilmente as pessoas compreenderão a lei" e , "se não a compreenderem, a tendência para incumprimento é generalizada".

Estimular boas práticas, em questões como o uso adequado do solo e outras medidas de planeamento urbano, fomentar a educação ambiental nas escolas e promover a criatividade económica, são outros passos a tomar, defendeu.

 

 

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