Região Demarcada do Douro vende 75 milhões de litros de vinho em 2017

Um estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro encomendado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto revela que em 2017 venderam-se 75 milhões de litros, 378 milhões de euros, de vinho da Região Demarcada do Douro.

Os números constam do estudo "Rumo Estratégico para o Setor dos Vinhos do Porto e Douro" que é apresentado sexta-feira no Peso da Régua numa sessão com a presença do ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos.

Este documento surge num momento em que "as previsões para a próxima década apontam para que a produção e o consumo mundial de vinho evoluam de modo moderado", conforme se lê na secção "enquadramento".

É expectável o decréscimo de consumo nos países produtores, mas este cenário deverá ser compensado pelo aumento do de outros países e mesmo pelo surgimento de novos mercados.

"Não devendo ser, no seu todo, suficiente para alterar significativamente o padrão geográfico de consumo. Em valor, é de esperar que tanto a produção como o consumo evoluam de modo positivo, acompanhando as preferências dos consumidores por vinhos superiores, com a premiumização dos vinhos a estar cada vez mais presente no mercado mundial", refere o estudo.

Sobre o vinho do Porto, o documento que o IVDP apresenta sexta-feira e que está disponível para consulta no 'site' do instituto, aponta que "na última década, deparou-se com a ameaça do decréscimo das vendas, especialmente em volume".

Em 2017, os valores aproximados das vendas totais foram de 75 milhões de litros e 378 milhões de euros, repartidas por exportações de 62 milhões de litros e 304 milhões de euros e vendas no mercado nacional de 13 milhões de litros e 74 milhões de euros.

Estes valores significam que, face a 2006, as vendas totais variaram em menos 17,2% (em volume) e menos 4,1% (em valor). Já às exportações foram menos 19,6% (volume) e menos 7,7% (valor), o mercado nacional registou menos 3% (volume), mas mais 14,7% (valor).

Quanto ao vinho do Douro, em 2017, as vendas totais foram, aproximadamente, de 40 milhões de litros e 157 milhões de euros (3,94 euros/litro), sendo 25 milhões de litros e 96 milhões de euros (3,84 euros/litro) no mercado nacional e 15 milhões de litros e 61 milhões de euros (4,11 euros/litro) no mercado externo.

Assim, comparando com 2006, as vendas totais aumentaram em 137,8% (volume) e 153,1% (valor), enquanto as vendas no mercado nacional aumentaram em 112,4% (volume) e 126,4% (valor) e as exportações aumentaram em 198,1% (volume) e 210,8% (em valor).

"É este cenário de desafios e oportunidades que enquadra a proposta de plano de ação, visando as medidas institucionais propostas gerar informação e condições de contexto para o reforço da inovação e competitividade do setor dos vinhos do Douro e Porto, numa perspetiva evolutiva e de continuidade do cerne da sua matriz identitária", refere o estudo do IVDP.

Em síntese - continuam a descrever os autores do estudo cuja coordenação geral é de Tim Hogg, a coordenação científica de João Rebelo e o acompanhamento e avaliação de Daniel Bessa - "as medidas pretendem reforçar a sustentabilidade do setor vitivinícola da Região Demarcada do Douro [RDD], através da melhoria do acesso e adaptação dos vinhos ao mercado, flexibilização da estrutura organizacional, redução dos custos de transação e do impulso de um sistema contínuo de investigação, desenvolvimento e inovação".

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Almeida Moreira

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.