RCA: Primeiro-ministro considera "aplanados" mal-entendidos com grupos armados

O primeiro-ministro centro-africano (RCA) disse hoje, em Bangui, que "os mal-entendidos" que ameaçavam o acordo de paz alcançado com os grupos armados tinham sido "aplanados" com o anúncio de um entendimento para um governo mais inclusivo.

"Hoje, posso afirmar-vos que estes mal-entendidos foram aplanados. Regressamos satisfeitos das consultas", afirmou Firmin Ngrebada à comunicação social, ao regressar da reunião de acompanhamento do acordo de paz, que terminou na quarta-feira em Addis Abeba, capital da Eriópia.

"Em Addis, um dos objetivos era discutir os mal-entendidos registados depois do anúncio do Governo", adiantou.

A apresentação, feita no início de março, de um novo governo, previsto no acordo de paz negociado em Cartum, no início de fevereiro, suscitou uma vaga de protestos dos grupos armados, que controlam a maior parte da República Centro-Africana (RCA) e exigem mais pastas ministeriais.

A União Africana tinha então convocado, para a sua sede, em Addis Abeba, uma reunião de acompanhamento entre as autoridades e os 14 grupos signatários do acordo, para procurar salvar o acordo.

No final desta reunião, que começou na segunda-feira, os signatários do acordo de paz entenderam-se sobre um novo governo inclusivo, anunciou na quarta-feira a União Africana.

"Entendemo-nos sobre o reforço da inclusividade no Governo", garantiu Ngrebada.

A composição da nova equipa ministerial ainda não divulgada.

O acordo de Cartum, assinado em 06 de fevereiro, apoiado por todos os parceiros de Bangui e preparado desde 2017 pela União Africana, foi o oitavo desde o início da crise marcada pelo derrube do presidente François Bozizé, em março de 2013.

Nenhum dos acordos anteriores trouxe o regresso da estabilidade, nem a presença da missão da ONU, constituída por 11 mil "capacetes azuis", presente no país desde 2014.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O Governo controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Em 06 de fevereiro foi assinado em Bangui um acordo de paz entre o Governo e 14 milícias.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), cujo 2.º comandante é o major-general do Exército Marco Serronha.

Portugal integra a MINUSCA, com a 5.ª Força Nacional Destacada (FND), e lidera a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), que é comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.

A 5.ª FND integra 180 militares do Exército (22 oficiais, 44 sargentos e 114 praças, das quais nove são mulheres) e três da Força Aérea.

Na EUTM-RCA, que está empenhada na reconstrução das forças armadas do país, Portugal participa com um total de 53 militares (36 do Exército, nove da Força Aérea, cinco da Marinha e três militares brasileiros).

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