RCA: ONU, UA e Comunidade Económica África Central satisfeitas com negociações

A Organização das Nações Unidas (ONU), a União Africana (UA) e a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CCEAC) expressaram na quarta-feira o seu apoio a um governo inclusivo na República Central-Africana (RCA).

Em comunicado conjunto, as três organizações saudaram o consenso alcançado entre o Governo de Bangui e os grupos armados, na sede da UA, em Adis Abeba, ao fim de 72 horas de consultas, sobre o reforço do caráter inclusivo do executivo.

Agora, a ONU, a UA e a CEEAC esperam a sua concretização rápida.

O primeiro-ministro da RCA, Firmin Ngrebada, fez um balanço positivo da reunião.

"As consultas em Adis Abeba dão-nos a possibilidade de conseguir ver onde certas preocupações relativas às exigências dos nossos irmãos dos grupos armados não foram consideradas", disse.

O anúncio de um "governo inclusivo" surge depois de, na terça-feira, 11 dos 14 grupos armados signatários do acordo de paz terem pedido a demissão de Firmin Ngrebada por considerarem que este perdeu credibilidade.

Em comunicado, os 11 grupos armados referiram que Ngrebada "não desempenha mais o papel de interlocutor para continuar com o processo" de paz e expressaram a intenção de apenas "discutir diretamente com o Presidente", Faustin-Archange Touadéra.

Exigindo "um governo de união nacional", as 11 milícias acentuaram que o acordo de paz, assinado em 06 de fevereiro, "é ainda válido", mas que o executivo de Firmin Ngrebada "nasceu morto".

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O Governo controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Em 06 de fevereiro foi assinado em Bangui um acordo de paz entre o Governo e 14 milícias.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), cujo 2.º comandante é o major-general do Exército Marco Serronha.

Portugal integra a MINUSCA, com a 5.ª Força Nacional Destacada (FND), e lidera a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), que é comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.

A 5.ª FND integra 180 militares do Exército (22 oficiais, 44 sargentos e 114 praças, das quais nove são mulheres) e três da Força Aérea.

Na EUTM-RCA, que está empenhada na reconstrução das forças armadas do país, Portugal participa com um total de 53 militares (36 do Exército, nove da Força Aérea, cinco da Marinha e três militares brasileiros).

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