Queixa da oposição contra resultados das eleições no Zimbabué suspende investidura

O principal partido da oposição no Zimbabué apresentou hoje um recurso contra os resultados das eleições presidenciais do mês passado, alegando irregularidades, e que resultou na suspensão da investidura do eleito, Emmerson Mnangagwa, até decisão do Tribunal Constitucional.

No recurso, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC) pede uma nova votação ou que o seu candidato, Nelson Chamisa, seja declarado vencedor.

O ministro da Justiça, Ziyambi Ziyambi, confirmou à agência francesa AFP que a investidura de Mnangagwa está suspensa.

"A investidura não decorrerá como previsto. Todos os procedimentos estão suspensos e aguardam a decisão do Tribunal Constitucional", afirmou Ziyambi.

A investidura de Mnangagwa, no poder desde a saída de Robert Mugabe, em novembro, e do seu Governo estava planeada para domingo e teria a presença de vários chefes de Estado e diplomatas.

Uma comitiva do MDC, composta por advogados e um membro do partido, estregou o recurso uma hora antes do final do prazo. O tribunal tem agora 14 dias para decidir.

"Temos um bom caso e uma boa causa!", escreveu Chamisa na plataforma de microblogues Twitter.

O advogado Thabani Mpofu, que se dirigiu ao tribunal, mostrou-se confiante na integridade da Justiça.

"Conseguimos entregar aos tribunais todas as irregularidades matemáticas e estatísticas", afirmou Mpofu, acrescentando: "Não estaríamos aqui se não acreditássemos que o tribunal nos iria dar um julgamento justo".

Pouco tempo depois das eleições, a oposição alegou que os resultados estavam manipulados, mas reteve as provas, que compilou e entregou agora em tribunal.

A Comissão Eleitoral do Zimbabué declarou que Emmerson Mnangagwa recebeu 50,8% dos votos e Chamisa 44,3%.

Um número de movimentos e organizações não-governamentais (ONG) dispersos pelo país questionou a alta participação nalgumas áreas, contrastantes com o número de votantes em eleições anteriores.

Mnangagwa, ex-braço direito de Mugabe, afirmou que pretendia tornar o Zimbabué mais aberto e democrático.

Dois dias depois das eleições, as forças zimbabueanas abriram fogo contra a oposição durante protestos na capital, Harare, matando seis pessoas.

Vários governos estrangeiros e observadores para os direitos humanos demonstraram preocupação com a força "excessiva" e relatos de opositores que se tornaram alvos das forças de segurança.

Na quinta-feira, um membro da oposição zimbabueana, Tendai Biti, foi acusado de incitação à violência pública e de declarar resultados eleitorais não-oficiais.

Biti fugira para a Zâmbia, mas as autoridades locais negaram-lhe o seu pedido de asilo e entregaram-no às forças de segurança do Zimbabué, desafiando uma ordem judicial zambiana.

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