PSD/Porto diz que riqueza gerada em Portugal é mal distribuída e exige regionalização

O PSD/Porto exigiu hoje que a tutela faça "uma descentralização efetiva, de competências e de serviços, no quadro político da regionalização", denunciando que "a riqueza gerada em Portugal se encontra mal distribuída pelo território".

"Temos um Governo que atribui à Área Metropolitana de Lisboa (AML), por passageiro, mais do dobro do que as 21 Comunidades Intermunicipais e a Área Metropolitana do Porto, juntas recebem. A AML recebe 70% das verbas disponíveis, quando o número de passageiros representa apenas 50% do total", refere o presidente do PSD/Porto, Alberto Machado, citado em comunicado.

Num documento que alude a um trabalho jornalístico publicado hoje que aponta que "se a região Norte, fosse um país, seria o quarto mais pobre da Europa, apenas precedido pela Bulgária, Croácia e Roménia", a distrital social-democrata considera que a regionalização e a descentralização, bem como a redução significativa do peso do Estado Central, são "um imperativo de coesão nacional".

"É do conhecimento público que a distribuição da riqueza gerada em Portugal, se encontra mal distribuída pelo território. Note-se que a região Norte, apesar de ser aquela que mais contribuiu para a criação de emprego desde a saída da 'troika' do nosso país, dado o pendor fortemente exportador do seu tecido empresarial, continua a ser aquela que menor PIB [Produto Interno Bruto] per capita apresenta", refere a nota.

Os sociais-democratas atribuem "responsabilidades" ao atual Governo PS, sem esquecer que este é suportado pelo PCP e Bloco de Esquerda, apontando que "os resultados económicos do país, desde o fim do programa de assistência financeira, têm sido canalizados para políticas altamente centralistas e ideológicas".

"Portugal não pode continuar a ter dois Governos: um que tem um comportamento na capital, com anúncios multimilionários em catadupa, e outro para o resto do país, cauteloso na hora de anunciar investimentos e muito meticuloso com a necessidade de estudos, e mais estudos, apenas para anunciar uma obra. Infelizmente, são muitos os exemplos, que comprovam esta triste realidade", lê-se no comunicado.

Segundo a Distrital social-democrata do Porto, quando em causa está a região de Lisboa há "anúncios de investimentos milionários, em catadupa como o do novo aeroporto de Lisboa".

"Mesmo sem qualquer estudo de impacto ambiental [a obra do aeroporto] vai avançar de imediato, com custos na ordem de 1,4 mil milhões de euros. Neste caso, em nome do eleitoralismo, o Governo já omitiu, de forma grave, a necessidade de 'estudar bem' o assunto", descreve o PSD.

Assim, os sociais-democratas nortenhos exigem a António Costa que este "trate o país de forma equitativa e justa, direcionando recursos para todo o território"

"Não estão em causa os investimentos na capital. O que está verdadeiramente em causa é o equilíbrio necessário e fundamental para uma verdadeira coesão territorial", termina a nota que pede uma "descentralização efetiva de competências e de serviços, no quadro político da regionalização, sem o aumento da despesa pública e com emagrecimento da máquina do Estado Central".

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