Protesto em Lesbos exige transferência de parte dos refugiados para a Grécia continental

A ilha de Lesbos cumpriu hoje uma paralisação para exigir a transferência para a Grécia continental de milhares de refugiados que desde há meses se concentram no seu território na sequência do pacto União Europeia (UE)-Turquia.

Os serviços públicos e numerosos estabelecimentos comerciais fecharam as portas, enquanto centenas de pessoas se manifestaram em Mitilene, a principal cidade da ilha do Mar Egeu, Mediterrâneo oriental.

"Lesbos não é um local de deportação, é uma ilha", foi uma das frases exibida num cartaz durante o protesto.

No campo de Moria, onde se concentram cerca de 7.000 refugiados para uma lotação de 2.350 lugares, os migrantes também se manifestaram sob a palavra "Abram as fronteiras".

Esta ação, desencadeada pelo presidente do município local, Spyros Galinos, foi apoiada pelas principais organizações profissionais e sindicatos da ilha, onde se encontram cerca de 8.500 refugiados e migrantes para uma população de 32.000 habitantes.

"Não é possível gerir a presença no local de tantas pessoas, com a maioria a pretender partir", sublinhou à agência noticiosa France-Presse (AFP) o presidente da Câmara de comércio e indústria local, Vangelis Myrsinias.

O município não solicita o reenvio de todos os migrantes presentes na ilha, mas que o seu número não ultrapasse os 4.000 lugares disponíveis, entre Moria e outras instalações.

Os exilados estão concentrados em Lesbos, e em outras ilhas gregas perto da costa turca, em princípio para serem reenviados em direção à Turquia no âmbito do pacto UE-Turquia concluído em março de 2016 para interromper a rota migratória do Egeu.

Para evitar, ou adiar este repatriamento, a maioria solicitou asilo à Grécia, um procedimento que se pode prolongar por vários meses.

No entanto, e de acordo com a interpretação do Governo grego ao acordo UE-Turquia, caso um pedido de asilo seja recusado mas o requerente já não se encontra na sua ilha de chegada, não poderá ser reenviado.

De momento, apenas as pessoas vulneráveis (mulheres grávidas, doentes), podem ser transferidos para o continente após terem concluído o procedimento de asilo.

Lesbos, a principal porta de entrada na Europa no decurso do grande êxodo de 2016 e 2016, continua a registar diariamente dezenas de novas chegadas, em particular de refugiados sírios e iraquianos das zonas recentemente retomadas ao grupo 'jihadista' Estado Islâmico.

A obrigação de manter os requerentes de asilo nas ilhas "constitui apenas uma interpretação que o Governo faz do texto", considerou Marios Andriotis, porta-voz do presidente do município, Spyros Galinos, que recentemente receou que Lesbos se transforme da "ilha da solidariedade" em "ilha prisão".

Esta madrugada, e de acordo com a polícia local, vários grupos de migrantes envolveram-se em confrontos no campo de Moria.

Os incidentes concentraram-se sobretudo numa área reservada a menores não acompanhados, que alberga atualmente 350 pessoas, e causaram vários danos materiais nas instalações supervisionadas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e nos dormitórios.

A polícia teve de intervir para controlar os migrantes envolvidos nos incidentes.

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