Prisão de até 20 anos para acusados da morte de opositor russo Boris Nemtsov

Os cinco homens acusados da morte do opositor russo Boris Nemtsov em fevereiro de 2015 foram condenados hoje por um tribunal de Moscovo a penas de prisão que vão dos 11 aos 20 anos de prisão.

O homem acusado de disparar quatro vezes sobre Boris Nemtsov, Zaour Dadaiev, foi condenado a 20 anos de prisão, enquanto os seus quatro coacusados, todos originários de repúblicas muçulmanas da Chechénia e Inguchétia, receberam penas de entre 11 e 19 anos em regime "severo".

O tribunal não conseguiu determinar quem mandou assassinar Nemtsov, uma das principais figuras da oposição do Presidente russo, Vladimir Putin.

A detenção em regime "severo" implica menos visitas de familiares ou próximos e menos tempo de recreio do que o regime "normal".

Os cinco homens, que estavam a ser julgados desde outubro de 2016, alegaram estar inocentes dos crimes imputados e foram considerados culpados por um coletivo de jurados -- chamado a pronunciar-se apenas sobre a culpa - no passado dia 29 de junho.

No dia em que Zaour Dadaiev, Chadid e Anzor Gubachev, Temirlan Eskerkhanov e Khamzat Bakhaiev foram considerados culpados, o advogado da família Nemtsov qualificou como "fiasco total" o inquérito sobre a morte do político.

A polícia russa continua a procurar um sexto homem, Ruslan Mukhudinov, também checheno, identificado em dezembro de 2015 como o mandante presumível do crime.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Assunto poucochinho ou talvez não

Nos rankings das escolas que publicamos hoje há um número que chama especialmente a atenção: as raparigas são melhores do que os rapazes em 13 das 16 disciplinas avaliadas. Ou seja, não há nenhum problema com as raparigas. O que é um alívio - porque a avaliar pelo percurso de vida das mulheres portuguesas, poder-se-ia pensar que sim, elas têm um problema. Apenas 7% atingem lugares de topo, executivos. Apenas 12% estão em conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa - o número cresce para uns míseros 14% em empresas do PSI20. Apenas 7,5% das presidências de câmara são mulheres.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

Quando não podemos usar o argumento das trincheiras

A discussão pública das questões fraturantes (uso a expressão por comodidade; noutra oportunidade explicarei porque me parece equívoca) tende não só a ser apresentada como uma questão de progresso, como se de um lado estivesse o futuro e do outro o passado, mas também como uma questão de civilização, de ética, como se de um lado estivesse a razão e do outro a degenerescência, de tal forma que elas são analisadas quase em pacote, como se fosse inevitável ser a favor ou contra todas de uma vez. Nesse sentido, na discussão pública, elas aparecem como questões de fácil tomada de posição, por mais complexo que seja o assunto: em questões éticas, civilizacionais, quem pode ter dúvidas? Os termos dessa discussão vão ao ponto de se fazer juízos de valor sobre quem está do outro lado, ou sobre as pessoas com quem nos damos: como pode alguém dar-se com pessoas que não defendem aquilo, ou que estão contra isto? Isto vale para os dois lados e eu sou testemunha delas em várias ocasiões.