Primeiro-ministro israelita refere-se à "ameaça iraniana" em encontro no Kremlin com Putin

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu aludiu hoje à "ameaça" que representa o Irão, o principal aliado com a Rússia do regime de Damasco, num encontro no Kremlin com o Presidente Vladimir Putin e centrado no conflito na Síria.

"O Irão é maior ameaça para a estabilidade e segurança da região e tudo faremos para eliminar essa ameaça", declarou Netanyahu no início do encontro.

Por sua vez, Putin considerou "muito importante discutir as questões de segurança na região". Aceitou ainda o convite de Netanyahu para assistir em breve à cerimónia de inauguração de um monumento às vítimas do cerco de Leninegrado, no decurso da Segunda Guerra Mundial, em Jerusalém.

O Irão, o Hezbollah xiita libanês e a Rússia são aliados do regime de Bashar al-Assad. O primeiro-ministro israelita tem repetido que nunca permitirá uma presença permanente do Irão na Síria, utilizando o país como "testa de ponta" militar.

O chefe do Governo israelita foi designadamente acompanhado pelo seu chefe do conselho de segurança nacional, Meir Ben-Shabbat, e do chefe dos serviços de informações militares, Tamir Heiman.

Antes de partir para a Rússia, insistiu que pretendia discutir com o Presidente russo "os meios de impedir o Irão de se enraizar na Síria, impedir que se enraíze um país que diz abertamente que o seu objetivo é destruir-nos".

No domingo, Netanyahu tinha já definido como "muito importantes" as discussões em perspetiva, para assegurar "a liberdade de ação" israelita na Síria contra o Irão e o Hezbollah, evitando fricções com as forças russas.

O Estado judaico manteve-se muito tempo discreto sobre as suas operações na Síria, mas em janeiro Netanyahu indicou que nos últimos anos a sua aviação atacou "centenas" de alvos iranianos e do Hezbollah na Síria.

Este encontro foi o primeiro diálogo prolongado entre Netanyahu e Putin desde 17 de setembro de 2018, quando baterias antiaéreas sírias abateram por erro um avião russo durante uma operação aérea israelita.

A morte de 15 soldados russos provocou séria tensões entre a Rússia e Israel e questionou a liberdade de ação que Israel reivindica no território da Síria.

Desde 17 de setembro que os dois responsáveis falaram diversas vezes por telefona, mas apenas de cruzaram brevemente em 11 de novembro em Paris, à margem das celebrações do fim da I Guerra Mundial.

"Decerto que vamos abordar em detalhe com o Presidente Putin o que fazer para que o exército russo e as forças israelitas se coordenem de forma a que possamos impedir fricções e confrontos entre nós", declarou Netanyahu antes de partir.

"É o principal objetivo da minha viagem a Moscovo", acrescentou.

Inicialmente previstas para a passada quinta-feira, as conversações entre Putin e Netanyahu forma adiadas à última hora. O Governo israelita não esclarece os motivos, mas o conselheiro do Kremlin, Iouri Ouchakov, aludiu à campanha eleitoral israelita.

A Rússia tem desempenhado um delicado jogo diplomático destinado a manter boas relações, em simultâneo, com Israel e o Irão. No Verão passado, Moscovo obteve um acordo com Teerão para manter os seus combatentes fora dos Montes Golã, para tranquilizar as preocupações de Israel sobre a presença iraniana da Síria.

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