Primeira edição do Refutur arranca com 47 refugiados em formação de hotelaria e turismo

Rama vem da Síria, Sidki da Guiné-Conacri e Juan Luís da Venezuela, em comum têm o facto de serem refugiados em Portugal e de integrarem um grupo de 47 refugiados que vão começar uma formação em hotelaria e turismo.

Depois de uma primeira experiência piloto e de outra para afinar modelos e conteúdos, foi hoje apresentada a primeira edição do Refutur, um curso de formação exclusivamente dirigido a refugiados e imigrantes integrados, numa parceria entre o Alto Comissariado para as Migrações, o Turismo de Portugal e a Presidência do Conselho de Ministros.

Rama Nasser, 33 anos, é uma das pessoas que integra este grupo de 47 refugiados que vão agora começar o curso. Chegou a Portugal no dia 27 de dezembro de 2018, a partir do Egito, fugida da guerra na Síria.

"Quero uma vida melhor para mim e para os meus filhos porque na Síria e no Egito não era possível", explicou.

Deste curso espera conseguir um trabalho, "um bom trabalho", frisando que tanto pode ser num restaurante, como noutro sítio qualquer desde que sirva para ter uma vida melhor e em paz.

Sidki Camara, 20 anos, veio da Guiné-Conacri com o irmão de nove anos, com quem vive, juntamente com o pai de ambos, em Setúbal, desde 17 de fevereiro de 2018.

Tem o sonho de um dia conseguir ser jogador de futebol, mas, para já, ambiciona encontrar um trabalho, qualquer que ele seja, para "ganhar muito dinheiro" e "construir a vida" com a sua família.

"Quero preparar o meu futuro, conhecer muitas coisas na vida. Não me importa o trabalho, estou pronto para trabalhar em qualquer coisa", disse.

Juan Luís Freitas tem 51 anos e parte da história feita em Portugal, já que é filho de pai português. No entanto, nunca teve a nacionalidade paterna, mas foi em Portugal, onde vive desde maio de 2018, que procurou refúgio com a família "por causa da situação política e económica que se vive na Venezuela".

"Eu estou desempregado e vou agora fazer esta formação para melhorar as capacidades que tenho como cozinheiro para encontrar trabalho na área da hotelaria e turismo", explicou.

Na cerimónia, a secretária de Estado do Turismo referiu como Portugal se mostra cada vez mais como um país "aberto ao mundo", que "constrói pontes e derruba mundos".

"No fundo, Portugal como uma casa de todos, onde todos se sentem bem e ao mesmo tempo a criar condições para que estas pessoas tenham formação numa área que é claramente de futuro, que é a área do turismo", referiu Ana Mendes Godinho.

De acordo com a governante, o objetivo é capacitar as pessoas refugiadas que façam a formação para poderem trabalhar quer na hotelaria, quer na restauração, acrescentando que o curso inclui também o ensino do português.

Ana Mendes Godinho salientou que Portugal precisa de pessoas qualificadas na área do turismo, destacando que a diversidade cultural e as origens dos diferentes refugiados "trazem riqueza que a oferta turística em Portugal tem que ter cada vez mais".

"Portugal é um país aberto, para todos e é um país que está do lado certo da história, que é o lado da construção da paz e de sermos cada mais uma nação aberta ao mundo e acolhedora, onde todos se sentem em casa", defendeu.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Refugiados em Portugal (ARP) elogiou a formação e defendeu que se trata de "uma grande ferramenta para apoiar a integração" dos refugiados.

"Quando os refugiados chegam, querem reconstruir a sua vida. A forma mais fácil e mais rápida para construir uma nova vida é através de formações para depois encontrarem um trabalho digno e a longo prazo", salientou, acrescentando que esta formação é exemplo de que o "país está a fazer alguma coisa pela integração dos refugiados".

O grupo de 47 refugiados, de 16 nacionalidades, será divido em duas formações, uma de alojamento, outra de restauração, no total de 200 horas, findas as quais haverá um estágio em contexto real de trabalho durante um mês. Em breve, irá também começar um curso no Porto.

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