Presidente polaco criticado por referir que UE tem pouca relevância

O Presidente da Polónia foi hoje duramente criticado pela oposição interna após ter considerado a União Europeia (UE) uma "comunidade imaginária" e com pouco relevância para os polacos.

Andrzej Duda perfilhou as posições dos ultraconservadores do partido Lei e Justiça (PiS, no poder), que mantém um conflito com a UE em torno do sistema judicial polaco e que Bruxelas considera uma violação do Estado de direito.

"Quando os nossos assuntos estiverem solucionados, lidaremos com os assuntos europeus", disse, durante um discurso na terça-feira.

"Por agora, deixem-nos sós, e vamos concentrar-nos na Polónia, porque é o mais importante".

Duda e responsáveis oficiais insistem que as alterações em curso e que fornecem ao PiS amplos poderes sobre os tribunais, são democráticas e tornam os juízes mais responsáveis.

A UE e diversas organizações de direitos humanos consideram as novas medidas prejudiciais para a independência do corpo judicial.

O discurso de Duda surge quando a UE enfrenta desafios em diversas frentes, incluindo um conflito semelhante com a Hungria, a saída da Reino Unido em 2019 (Brexit) e um novo Governo eurocético em Itália.

Os eurodeputados recomendaram hoje ao Conselho a instauração de um procedimento disciplinar à Hungria por violação grave dos valores europeus pelo Governo de Viktor Orbán, em matérias como migrações e Estado de direito.

Na Polónia, as reações ao discurso de Duda foram veementes, e alguns comentadores admitiram que as autoridades polacas estão a dirigir o país para uma eventual saída da União.

O líder da oposição, Grzegorz Schetyna, disse que Duda não percebeu "o dano que estas palavras provocam à reputação e à imagem da Polónia".

Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, que dirige o agrário Partido do Povo Polaco, acusou Duda, católico praticante, de rejeitar os ensinamentos do falecido papa polaco João Paulo II, que no seu consulado defendeu a adesão do país à UE.

No seu discurso em Lezajsk, uma comunidade do leste do país, Duda acusou a Europa de ter abandonado a Polónia ao controlo soviético após a II Guerra Mundial.

E considerou que, por esse motivo histórico, a Polónia tem o direito de manter expectativas face à Europa e, em particular, os polacos "têm o direito de governar e decidir que Polónia pretendem".

A Polónia aderiu à UE em 2004, uma decisão que implicou 14 anos de forte crescimento económico, alimentados por biliões de euros provenientes de diversos fundos europeus.

Ainda hoje, as sondagens revelam um apoio de 80% ao processo de integração comunitário, indica a agência noticiosa Associated Press (AP).

Uma porta-voz do partido no poder emitiu um "forte protesto" contra qualquer sugestão de que estão a tentar "eliminar" a Polónia do bloco dos ainda 28 Estados-membros.

"Somos parte da UE, estamos na UE e não haverá nada que altere essa situação", considerou Beata Mazurek.

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