Presidente do Sudão do Sul pede a grupos da oposição que afastem "sede de poder"

Juba, 15 mai 2019 (Lusa) - O Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, apelou aos grupos da oposição no país para que estes coloquem "de lado a sede de poder" e colaborarem com o Governo para implementar o mais recente acordo de paz.

"Vamos colocar de lado a sede de poder, estabilizar o nosso país e colocar a nação de novo numa democracia e dar às pessoas a hipótese de viverem no país que merecem", disse Kiir, na capital Juba, citado pela agência Xinhua.

"O círculo vicioso de violência não terminará se continuarmos a fazer as coisas da mesma maneira", referiu o chefe de Estado sul-sudanês, acrescentando que a "suave implementação do revitalizado acordo de paz irá abrir caminho para futuras eleições democráticas enquanto meio de alcançar uma paz duradoura".

Num discurso do Estado da Nação, Salva Kiir pediu também aos apoiantes da oposição para evitarem a participação em protestos durante o Dia do Exército, que se assinala na quinta-feira.

O chefe de Estado dos Sudão do Sul assinalou que os anos de conflito civil danificaram a independência do país e custaram muitas vidas ao país.

"Será uma situação vantajosa se todos trabalharmos juntos", afirmou, concluindo: "Quando trabalhamos, todos perdemos e envergonhamo-nos e ao nosso país".

Na terça-feira, Salva Kiir pedira ao líder rebelde Riek Machar para que este regressasse à capital do país, prometendo trabalhar pela paz.

"Eu perdoo-o [Machar] completamente e tudo o que lhe peço é que se torne num parceiro para a paz, porque ele já não é meu adversário", disse então Salva Kiir, na abertura de uma sessão no parlamento do Sudão do Sul.

As partes que integraram uma guerra civil iniciada em 2013 concluíram um acordo de paz na capital da Etiópia, Adis Abeba, em setembro, que pedia a formação de um Governo transitório de unidade nacional em 12 de maio.

Perante os deputados, Kiir recordou o gesto do papa Francisco, que se ajoelhou para beijar os pés dos líderes das duas partes do conflito durante um retiro espiritual que ambos fizeram no Vaticano, em abril.

"Para ser honesto, eu estava chateado e a tremer, mas sabia que sua santidade estava a fazer isso para mostrar a humildade de Cristo", disse Kiir, acrescentando: "Ele disse-nos para sermos humildes e sermos bons servos do povo".

"O ato de humildade do papa Francisco é ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição para todos nós - uma bênção se ouvirmos o seu apelo à paz e uma maldição se jogarmos com a vida do nosso povo", referiu.

Na semana passada, o papa admitiu a possibilidade de alargar a visita apostólica a África até ao Sudão do Sul.

Francisco deverá visitar Madagáscar, Maurícias e Moçambique entre 04 e 10 de setembro e vai considerar a visita ao Sudão do Sul caso, nessa altura, a situação política no país já tenha "amadurecido".

O Sudão do Sul, com maioria de população cristã, obteve a sua independência ao separar-se do Norte árabe e muçulmano em 2011, mas a partir do final de 2013 o país entrou num conflito civil, provocado pela rivalidade entre o Presidente, Salva Kiir, e o seu então vice-Presidente, Riek Machar.

As partes formaram um Governo de unidade nacional em 2016, que caiu poucos meses após a formação devido a um reinício da violência, tendo essa sido a primeira tentativa de pacificação do jovem país africano.

O acordo para a criação de um Governo unitário com os rebeldes, aprovado em setembro, foi o mais recente de uma série de acordos entre o executivo de Salva Kiir e os rebeldes liderados por Machar desde o início de uma guerra civil, em 2013.

Em cinco anos de conflito, estima-se que este tenha provocado a morte de 400.000 pessoas e levado a que quatro milhões ficassem deslocadas.

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