Presidente do PE e Federação Europeia de Jornalistas condenam morte de repórter

O presidente do Parlamento Europeu (PE) e a Federação Europeia de Jornalistas condenaram hoje a morte da jovem repórter de investigação irlandesa baleada enquanto fazia a cobertura de distúrbios num bairro da Irlanda do Norte.

Reagindo através de uma publicação na rede social Twitter, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, pede às autoridades que "esclareçam a morte da jornalista Lyra McKee".

"É inaceitável que aqueles que têm o dever de informar e de procurar a verdade paguem com as suas vidas", adianta.

Já em comunicado, a Federação Europeia de Jornalistas (EFJ), sediada em Bruxelas, condena "o assassinato e apela a uma investigação completa sobre a morte" da jornalista 'freelancer' Lyra McKee.

Citada pela nota, o presidente da EFJ, Mogens Blicher Bjerregård, realça que Lyra McKee "era uma jornalista muito dedicada", que "costumava cobrir os conflitos na Irlanda do Norte, com foco nas vítimas da violência".

Condenando a morte "em serviço, enquanto [Lyra McKee] informava o público", Mogens Blicher Bjerregård apela para que este não seja "mais um caso de impunidade".

Segundo as autoridades locais, a jornalista Lyra McKee, de 29 anos, morreu pelas 23:00 horas (hora local, a mesma em Lisboa) de quinta-feira em Londonderry, a segunda maior cidade da Irlanda do Norte.

Natural de Belfast, a jovem repórter foi atingida na cabeça por um homem com máscara que disparava contra a polícia no bairro de Creggan, em Londonderry, tendo morrido já no hospital.

A polícia abriu, entretanto, uma investigação à morte.

Numa conferência de imprensa dada hoje, o inspetor do Serviço de Polícia da Irlanda do Norte Mark Hamilton afirmou que as autoridades acreditam que este foi "um ato terrorista cometido por violentos dissidentes republicanos".

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