Povos indígenas manifestam-se em Washington pelo respeito dos seus direitos

Um milhar de membros de comunidades autóctones das Américas manifestaram-se hoje em Washington e denunciaram as injustiças de que são vítimas, pedindo às autoridades para respeitarem os seus direitos.

Os organizadores da manifestação, uma coligação designada "Movimento dos povos indígenas", denunciam nomeadamente "as restrições de acesso ao direito de voto, a separação das famílias por muros ou fronteiras, um holocausto ambiental, o tráfico de seres humanos e as brutalidades policiais e militares".

"A nossa água é poluída e ninguém faz nada, mulheres desaparecem ou são mortas e os casos não são seguidos" pela polícia, afirmou à agência France-Presse Malia Simon, 20 anos e da tribo dos Navajos, cujo território se situa nas fronteiras de quatro Estados do sudoeste dos Estados Unidos.

As comunidades autóctones também criticaram as restrições à sua liberdade de movimento, quando acontece estarem instaladas em países diferentes.

"As fronteiras foram criadas pelos colonos, nós não as reconhecemos", explicou Joey Morales, membros dos Pijao da Colômbia.

Nos Estados Unidos, os ameríndios estão entre a população mais pobre do país e são particularmente prejudicados pelo encerramento parcial da administração federal, que dura há quase um mês.

"Muitas pessoas não recebem as suas prestações ou subsídios e muitas organizações de caridade não recebem dinheiro para pagar aos seus funcionários", afirmou Cante Heart, da tribo Winnebago do Nebraska.

Várias tribos estão também envolvidas num "braço-de-ferro" com as autoridades canadianas e norte-americanas sobre o traçado de oleodutos que atravessam as suas reservas.

A tribo Oglala Lakota de Standing Rock, cuja reserva se situa nos Estados do Dakota do Norte e do Sul, contesta o traçado do Dakota Access Pipeline que, segunda ela, passa em locais sagrados e ameaça as suas fontes de água potável.

"Um oleoduto polui as águas, o Dakota Access já tem fugas", disse à AFP Jack Gifted by Eagles, 20 anos e da tribo Oglala Lakota.

O presidente norte-americano, Donald Trump, sofreu um revés na justiça em dezembro quando um juiz suspendeu a construção do oleoduto Keystone XL, que deve ligar campos de petróleo na província canadiana de Alberta a refinarias no golfo do México, passando pelo Nebraska.

"É preciso resistir e ser forte, mas há ainda muito trabalho a fazer", assegurou Vanessa Pastrana, que nasceu em Porto Rico e pertence ao povo taíno, que vivia nas Antilhas antes de ser quase exterminado.

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