Portuguesa integra comitiva de observadores que visita terras indígenas no Brasil

Uma portuguesa integra a delegação europeia de oito observadores dos direitos humanos e ecologistas que está a visitar as terras indígenas dos Guarani Kaiowá no Estado brasileiro de Mato Grosso do Sul, divulgou hoje um dos organizadores do evento.

"A iniciativa surgiu a partir de um convite do cacique Guarani Kaiowá Ládio Veron, quando da visita dele a Portugal e outros países europeus no primeiro semestre de 2017", declarou à Lusa Paulo Lima, presidente da organização Viração&Jangada na Itália e fundador e diretor da associação Viração Educomunicação no Brasil.

O líder indígena Ládio Veron esteve em Portugal em junho para denunciar a ocupação das terras dos Guarani-Kaiowá pelo agronegócio e a situação precária dos acampamentos em que muitos índios vivem, à beira de estradas naquele Estado brasileiro.

Veron terminou em Portugal uma longa viagem por 13 países, entre os quais Irlanda, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e outros, para denunciar a situação caótica em que vivem as populações indígenas no Brasil.

A região do Mato Grosso do Sul tem os maiores índices de violência contra os povos indígenas, já que nos últimos 15 anos já terão sido assassinados 400 índios, entre os quais, o pai de Ládio Veron, Marcos Veron, que foi assassinado em 2003.

Segundo Paulo Lima, "os oito representantes das associações europeias em questão organizaram-se para fazer essa visita, entre hoje e segunda-feira, ao Brasil".

A representante portuguesa é Sara Raquel de Sousa Correia, ativista da "Campanha pela Liberdade das Sementes" em Portugal e documentarista com o coletivo Líquen, que trabalha com temas de ecologia humana e soberania alimentar, segundo a organização.

Nesta viagem ao Brasil, a ativista portuguesa está a representar o grupo ecologista GAIA e o Pessoas-Animais-Natureza (PAN), partido político com assento no parlamento português.

A organização do evento referiu ainda que "o objetivo dos observadores internacionais é sobretudo conhecer a situação em que se encontra um dos povos mais ameaçados pela investida do agronegócio no Brasil, discutir formas de cooperação internacional e estabelecer canais de comunicação direta entre uma rede de apoio que se está criando na Europa e as comunidades Guarani Kaiowá".

No programa estão previstas visitas aos acampamentos à margem de estradas, às aldeias, às áreas de retomadas e aos lugares onde recentemente foram encontrados corpos de indígenas Guarani Kaiowá que eram tidos como desaparecidos, segundo os organizadores.

Os ativistas também se encontrarão com investigadores e representantes de entidades que há anos contribuem para a defesa dos povos indígenas da região.

Os outros membros da comitiva europeia são Rosemeire Jorge (Brasil/Espanha), Gabriel Priego Vico (Espanha), Katharina Mähler (Alemanha), Sabrina Tschiche (Alemanha), Mariangela Casalucci (Marita, Itália), Paulo Lima (Brasil/Itália), Jordi Ferré Losa e Karai Mirim (Brasil/Catalunha).

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