Portugal pode ajudar sul-americanos e PALOP nas exigências de financiadores na água

Portugal pode ajudar os países sul-americanos e os africanos de língua portuguesa a cumprirem as exigências dos financiadores, como o Banco Mundial, sobre melhorias dos sistemas de água, defendeu hoje o presidente da reguladora portuguesa do setor.

"Portugal tem boa experiência nesta matéria, já deu passos importantes e é uma referência a nível mundial, e pode contribuir para ajudar outros países que pretendem ter financiamento para instalar ou melhorar infraestruturas, como redes de abastecimento", disse hoje à agência Lusa Orlando Borges.

O presidente da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) falava a propósito do 8.º Fórum Mundial da Água, que decorre até sexta-feira, em Brasília, no Brasil, no qual participa.

Entre as várias iniciativas que integram o programa do pavilhão de Portugal, que reflete a "grande aposta" do país neste evento, está um primeiro encontro entre entidades reguladoras dos países ibero-americanos e da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"Pela primeira vez, de uma forma simbólica, juntam-se técnicos e dirigentes da área da regulação dos serviços da água da CPLP e da Ibero-América, e Portugal faz parte dos dois grupos", explicou Orlando Borges.

Para o responsável, "esta é uma oportunidade para trocar experiências sobre assuntos relacionados com a água, em particular na área da regulação, mas não só" e terá o contributo do Banco Mundial, um dos mais relevantes financiadores de projetos de infraestruturas na área da água.

As entidades que financiam os investimentos, por exemplo, em instalação ou melhoria de sistemas de abastecimento de água, pedem alguns requisitos aos países que desenvolvem estes projetos, como a existência de reguladores e a capacitação nas várias áreas.

"Esta exigência pode ser resolvida através de parcerias e de propostas sustentáveis. É uma forma de dar passos seguros para garantir a sustentabilidade de muitos dos investimentos ainda necessários", defendeu o presidente da ERSAR.

Orlando Borges salientou que "são essas formas de cooperar e partilhar experiências que ajudam a consolidar as instituições para que os investimentos que têm de ser feitos nesta área possam ser sustentáveis e adequados à proteção dos cidadãos e à gestão eficiente da água".

Na América do Sul, explicou, a situação "está mais desenvolvida e grande parte dos países tem uma entidade reguladora para as questões da água e do saneamento. No caso dos países africanos da CPLP, têm vindo a organizar este tipo de entidade e Angola foi dos últimos a instalar" a sua unidade.

No final dos encontros entre reguladores, continuou, será elaborada uma declaração de princípios para refletir a "vontade e o compromisso de continuar a partilhar experiências e de criar uma plataforma para troca de conhecimentos".

Uma sessão será presidida pelo secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, e contará com responsáveis de Espanha, Portugal, do Banco Mundial, das entidades reguladoras de países ibero-americanos e da CPLP, de Angola ou de Moçambique.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Crespo

Orçamento melhoral: não faz bem, mas também não faz mal

A menos de um ano das eleições, a principal prioridade política do Governo na elaboração do Orçamento do Estado do próximo ano parece ter sido não cometer erros. Esperar pelos da oposição. E, sobretudo, não irritar ninguém. As boas notícias foram quase todas libertadas nas semanas que antecederam a apresentação do documento. As más - que também as há - ou dizem pouco à esmagadora maioria da população, ou são direcionadas a nichos da sociedade que não decidem eleições.

Premium

Ricardo Paes Mamede

Tudo o que a troika não fez por nós

A crítica ao "programa de ajustamento" acordado com a troika em 2011 e implementado com convicção pelo governo português até 2014 já há muito deixou de ser monopólio das mentes mais heterodoxas. Em diferentes ocasiões, as próprias instituições em causa - FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia - assumiram de forma mais ou menos explícita alguns dos erros cometidos e as consequências que deles resultaram para a economia e a sociedade portuguesas. O relatório agora publicado pela Organização Internacional do Trabalho ("Trabalho Digno em Portugal 2008-2018: da Crise à Recuperação") veio questionar os mitos que ainda restam sobre a bondade do que se fez neste país num dos períodos mais negros da sua história democrática.

Premium

João Gobern

Simone e outros ciclones

O mais fácil é fazer coincidir com o avanço da idade o crescimento da necessidade - também um enorme prazer, em caso de dúvida - de conversar e, mais especificamente, do desejo de ouvir quem merece. De outra forma, tornar-se-ia estranho e incoerente estar às portas de uma década consecutiva em programas de rádio (dois, sempre com parceiros que acrescentam) que se interessam por escutar histórias e fazer eco de ideias e que fazem "gala" de dar espaço e tempo a quem se desafia para vir falar. Não valorizo demasiado a idade, porque mantenho intacta a certeza de que se aprende muito com os mais novos, e não apenas com aqueles que cronologicamente nos antecederam. Há, no entanto, uma diferença substancial, quando se escuta - e tenta estimular-se aqueles que, por vias distintas, passaram pelo "olho do furacão". Viveram mais (com o devido respeito, "vivenciaram" fica para os que têm pressa de estar na moda...), experimentaram mais, enfrentaram batalhas e circunstâncias que, de alguma forma, nos podem ser úteis muito além da teoria. Acredito piamente que há pessoas, sem distinção de sexo, raça, religião ou aptidões socioprofissionais, que nos valem como memória viva, num momento em que esta parece cada vez mais ausente do nosso quotidiano, demasiado temperado pelo imediato, pelo efémero, pelo trivial.

Premium

Henrique Burnay

Isabel Moreira ou Churchill

Numa das muitas histórias que lhe são atribuídas, sem serem necessariamente verdadeiras, em resposta a um jovem deputado que, apontando para a bancada dos Trabalhistas, perguntou se era ali que se sentavam os seus inimigos, Churchill teria dito que não: "Ali sentam-se os nossos adversários, os nossos inimigos sentam-se aqui (do mesmo lado)." Verdadeira ou não, a história tem uma piada e duas lições. Depois de ler o que publicou no Expresso na semana passada, é evidente que a deputada Isabel Moreira não se teria rido de uma, nem percebido as outras duas.