Portal Macau-China disponibiliza milhares de documentos de forma livre

O portal Macau-China, que nasceu em 2015, disponibiliza de forma livre milhares de documentos digitalizados, que permitem "estudar e compreender" a história e a sua relação com Portugal, foi hoje anunciado.

Na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, foram apresentados os resultados da terceira fase deste portal, constituído por fontes documentais do século XVI ao século XIX, que disponibiliza mais de 150.000 páginas de fontes históricas.

"Este projeto nasceu em 2015 de uma parceira entre a Biblioteca Nacional, Observatório da China, União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e com apoio financeiro da Fundação Macau. Consiste em digitalizar e disponibilizar 'on-line', de forma simples e de livre acesso, um conjunto de fontes documentais que permitam compreender e estudar a história de Macau e da China e a relação com Portugal ao longo de quatro séculos, desde XVI ao XIX", disse Helena Patrício, da BNP, em declarações à agência Lusa.

Helena Patrício explicou que têm vindo a ser disponibilizados diversos documentos, começando com o Livro Antigo, e, nesta última fase do projeto, manuscritos, publicações periódicas e livros da Biblioteca Pública de Évora.

"Vão encontrar neste portal livros, postais, ilustrações, mapas, pinturas, manuscritos e relatos. No fundo, todo o saber produzido sobre a China nestes séculos. Entre as principais obras desta última fase destacamos a da expedição à China feita com base nos diários de Matteo Ricci", explicou.

Segundo Helena Patrício, na próxima fase do projeto a intenção é apostar na cartografia, explicando que o portal está já disponível em português, chinês, inglês e, no próximo ano, estará também em francês.

O presidente do Observatório da China, Rui Lorido, afirmou que o 'site' é uma "ambição concretizada".

"É uma grande satisfação ver que, à distância de um 'click', conseguimos chegar à documentação sobre Macau e China. Quando estive a trabalhar para o mestrado e doutoramento levei dez anos a investigar o que agora está neste projeto", referiu.

O presidente do Observatório da China defendeu ainda que não é possível "alienar" o que a história dá, lembrando o percurso dos portugueses a "construir pontes entre os cinco continentes".

"Hoje em dia, nós necessitamos de fazer a ponte com a China e a Ásia, sem alienar as nossas alianças com a Europa e os Estados Unidos", frisou, apontando o papel que o porto de Sines pode ter na ligação à Europa através da alta velocidade e a competição que existe entre vários países, entre eles a Espanha.

O 'site' "Macau-China: fontes dos séculos XVI a XIX" é patrocinado pela Fundação Macau.

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