PJ de Leiria recebe entre duas a quatro queixas por dia de crimes informáticos

O piquete da Polícia Judiciária de Leiria regista entre duas a quatro queixas por dia de crimes informáticos, revelou hoje a inspetora chefe, Fátima Marques, que trabalha na brigada de investigação destes crimes.

Durante o 8.º Congresso Nacional de Medicina do Adolescente, numa iniciativa da Sociedade Portuguesa de Medicina do Adolescente, Fátima Marques adiantou que a área dos crimes informáticos, onde se insere o roubo de identidade, tem sido aquela que "mais cresceu" e onde "há mais inquéritos".

"Todos os dias, quando pergunto ao piquete por denúncias, é raro o dia em que não haja duas, três ou quatro queixas de crimes informáticos. É uma dimensão à escala mundial e não acontece apenas em Lisboa e Porto", informou.

A inspetora salienta que todos os atos que se praticam na internet "têm uma repercussão que não é mensurável, que não se consegue dominar nem apagar, porque há uma dimensão em cadeia e o resultado é a humilhação pública".

Uma das situações comuns que surgem na PJ está ligada ao fim do namoro entre os adolescentes. "Nesta idade, vive-se tudo intensamente e partilha-se tudo com o namorado, porque se confia, mesmo aquelas coisas que não se partilha com ninguém. Um dia, envia-se uma foto nua ou seminua. O namoro acaba, nem sempre bem e - até porque não há muita consciência das repercussões das coisas - o ex-namorado envia a foto a um amigo e este passa a outro", conta Fátima Marques.

Considerando que a situação é menos má se ficar "entre mensagens privadas", a inspetora alertou para o perigo de ser criado um perfil falso público e pôr a imagem a circular na internet, situação que já levou "adolescentes a mudarem de escola".

Segundo disse, quando estas queixas chegam à PJ "é porque já houve falha de todas as instâncias".

Abordando o tema do 'ciberbullying', Fátima Marques afirmou que o "'bullying' sempre existiu, mas a situação era resolvida na escola, na família e no grupo de amigos, e as repercussões não eram tão grandes".

Ou seja, "a humilhação pública sempre existiu, o que mudou foi o veículo que hoje em dia é muito perigoso e mais grave, porque é difícil de controlar".

O 'modus operandi' de quem está "mal-intencionado" é estar atento ao perfil da pessoa que "pretende atacar". "É fácil perceber quem está por detrás daquele perfil, através das partilhas, como frases tristes, ou de 'likes' em determinados temas".

Lembrando que nada do que está na internet desaparece, Fátima Marques aconselhou que ao ser detetada alguma imagem ou mensagem agressiva - de conteúdo ou não sexual - se "reporte a agressão na plataforma que foi usada".

Outras medidas de prevenção são "não publicar fotos em biquíni, porque são mais fáceis de manipular, nem colocar o número de telefone".

Se for ameaçado ou perseguido deve fazer 'print screen' (tirar uma fotografia ao ecrã), com data e hora, e "não mexer nos sms ou emails enviados", o que inclui "não reencaminhar para ninguém", para que sejam preservadas as provas e permita à polícia investigar a origem.

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