PERFIL: Ossufo Momade, um "renamista" que começou por combater pela Frelimo

Ossufo Momade, eleito novo presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), é um dos generais e políticos mais conhecidos do partido.

Integrou a guerrilha, depois de ter servido nas fileiras das forças governamentais da Frelimo, partido no poder.

Momade, 58 anos a completar no dia 30 de janeiro, nasceu na Ilha de Moçambique, província de Nampula, norte do país, e é retratado como um homem esquivo e discreto.

Não se lhe conhece nenhuma intervenção pública nos muitos anos de deputado que leva na Assembleia da República (AR), primando pelo silêncio, que apenas intercala com os aplausos "compulsivos" que as bancadas devem legar no final do discurso ou interpelação de um colega de partido.

Uma das provas da sua discrição é o facto de não ter assumido antes a candidatura à presidência da Renamo, mesmo quando os seus concorrentes o fizeram, em entrevistas a órgãos de comunicação social.

Ossufo Momade milita na principal força da oposição moçambicana desde a sua captura pelo movimento, em 1978, no distrito de Ribáue, província de Nampula.

Como comandante militar do braço armado do partido e mais tarde como secretário-geral (entre 2007-2012), Ossufo Momade pautou-se pela submissão incondicional a um Afonso Dhlakama avesso a bicefalias e à proliferação de centros de poder internos.

Furtou-se sempre a posições políticas vincadas, mesmo nos períodos de maior crispação com o Governo e de confrontos militares entre as Forças de Defesa e Segurança (FDS), como fizeram colegas de partido.

Alguns "renamistas" foram mortos e outros detidos no período mais alucinante da crise com o Governo, mas Ossufo Momade andou poupado dessa "lista de alvos".

A circunstância de não se lhe ser conhecida colagem a nenhuma fação dentro da Renamo pode ter levado o partido a apontá-lo para "coordenador da comissão política nacional" depois da morte de Dhlakama, em maio de 2018.

Os tempos de guerrilha tornaram Momade numa figura aceitável para o braço armado que a Renamo ainda mantém nas matas da Gorongosa e a "socialização" que teve com os deputados da Assembleia da República dão-lhe respeitabilidade no seio da ala política do partido.

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