Peça de teatro escrita por invisual levada a escolas do Porto

Uma peça de teatro concebida por uma invisual, futura operadora de braille, vai ser representada na quarta-feira para os alunos do agrupamento de escolas de Cedofeita, no Porto, levando ao palco 50 pessoas com algum tipo de deficiência.

Com esta peça, denominada "Viagem à DiverCidade", Verónica Baptista viu, aos 34 anos, o gosto pela escrita que a "acompanha desde criança" passar para o palco após um desafio lançado pela sua coordenadora de linguagem de comunicação, Mafalda Cunha, no Centro Integrado de Apoio à Deficiência (CIAD).

"Foi-me pedido que escrevesse um conto que pudesse envolver o máximo de utentes do CIAD e do Centro de Atividades Ocupacionais a falar da diversidade", relatou à Lusa a autora, que escreveu o conto "num sábado à tarde", estando então "longe de pensar que iria acabar numa peça de teatro".

A autora invisual vai participar na peça, interpretando uma boneca que faz a narração, o que, conforme diz, "pouco tempo deixa para sentir as emoções" de assistir a algo seu ser exibido para os alunos do agrupamento de escolas de Cedofeita, no Porto.

"A mensagem essencial desta peça é que apesar de sermos diferentes uns dos outros, há algo em cada um de nós que nos une, que sendo todos nós humanos a diversidade não deve ser motivo de discórdia pois faz de nós mais ricos e unidos", disse.

E acrescentou: "todos temos a capacidade de amar e sermos amados".

O espetáculo que vai decorrer a partir das 11:00 no Auditório D. Pedro IV, no Palacete Araújo Porto, terá uma duração de 90 minutos e nele vão participar 50 utentes do CIAD com formas variadas de deficiência, desde a trissomia XXI à paralisia cerebral.

Uma vez em palco, estes vão protagonizar várias expressões artísticas, incluindo dança, teatro, fado e capoeira.

"O CIAD é uma resposta da Misericórdia do Porto na área da deficiência e incapacidade, apoiando cidadãos e suas famílias ao longo do ciclo vital", refere um comunicado enviado pela instituição à agência Lusa.

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