Papa quer falar sobre os "sonhos dos jovens" na sua viagem ao Panamá

O papa, na sua visita ao Panamá, no final deste mês, para participar na 34.ª Jornada Mundial da Juventude, quer falar sobre os "sonhos dos jovens", disse hoje o secretário de Estado do Vaticano.

"O papa quer falar sobre os sonhos dos jovens e, ao mesmo tempo, que os jovens ouçam a Igreja", disse o cardeal Pietro Parolin, acrescentando que "a escuta deve ser recíproca: os jovens ouvem a Igreja e a Igreja ouve os jovens e as suas esperanças, as suas expectativas, os seus desejos, os seus sonhos".

Na tradicional entrevista dada à comunicação social antes das viagens internacionais do pontífice, Pietro Parolin referiu a necessidade de os jovens "empenharem-se na política".

Ao responder a uma pergunta sobre a viagem do papa a uma área do mundo onde há problemas "como a migração forçada, violência e tráfico de drogas", Parolin respondeu que "diante do desânimo" se deve "retomar o compromisso pessoal de mudar o mundo".

"Os jovens podem e devem também envolver-se na política, e refiro-me aqui à mensagem que o Santo Padre publicou por ocasião da Jornada Mundial da Juventude deste ano, quando fala sobre a política, como um instrumento para a construção de paz", disse.

Parolin também destacou a importância da mensagem e atenção do papa argentino para as comunidades indígenas.

"Provavelmente também, porque ele vem da América Latina, onde há a presença de muitas culturas indígenas em diferentes países, o papa está muito atento a essa realidade", afirmou.

Francisco, prosseguiu o cardeal, está também muito atento "em dar aos jovens pertencentes a essas culturas, esse sentido da importância do que são e do que fizeram contra esse desprezo, do passado, ao longo da história".

"É por isso que acredito que [esta 34.ª Jornada Mundial da Juventude] será um impulso que o papa dará às culturas indígenas, aos jovens indígenas, para que eles se sintam orgulhosos do que são, e eu acho que é muito importante (...) que eles se sintam orgulhosos, valorizados e sintam que têm de dar a este mundo e a essa sociedade", disse.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai participar na 34.ª Jornada Mundial da Juventude.

A autorização para a deslocação do chefe de Estado ao Panamá, entre 24 e 28 de janeiro, a fim de participar neste evento católico foi aprovada no passado dia 11 pela Assembleia da República, por unanimidade.

O projeto de resolução aprovado refere que Marcelo Rebelo de Sousa irá deslocar-se ao Panamá a convite do seu homólogo panamiano, Juan Carlos Varela, fazendo escala em Espanha.

A Jornada Mundial da Juventude é um evento instituído pelo papa João Paulo II, que se realizou pela primeira vez em 1986, em Roma, e que se repete a cada dois ou três anos, numa cidade diferente.

No início de dezembro, o Presidente da República comentou a possibilidade de a Jornada Mundial da Juventude de 2022 vir a realizar-se em Portugal, considerando que "seria uma magnífica notícia", mas ressalvou que era necessário aguardar pela palavra do pontífice.

"A palavra é do papa Francisco e ele não a dará antes do Panamá, antes das Jornadas de janeiro, vamos esperar", declarou o chefe de Estado aos jornalistas.

O papa Francisco esteve em Portugal em visita apostólica entre 12 e 13 de maio de 2017, por ocasião do centenário das "aparições" em Fátima.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.