Paços de Ferreira espera que remodelação de ETAR acabe com "calamidade ambiental"

A remodelação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Paços de Ferreira por 5,1 milhões de euros, hoje adjudicada, é um "momento histórico", porque "vai permitir acabar com uma calamidade ambiental", considerou o presidente da câmara.

"Finalmente vamos pôr fim a esta calamidade e crime ambiental", afirmou o autarca de Paços de Ferreira, Humberto Brito (PS), acompanhado do presidente da Câmara de Paredes, Alexandre Almeida (PS).

Os dois autarcas socialistas promoveram hoje uma conferência de imprensa conjunta, na localidade de Lordelo, junto ao rio Ferreira, no concelho de Paredes, e contígua ao município de Paços de Ferreira.

O mau funcionamento da ETAR de Arreigada, Paços de Ferreira, em funcionamento há 27 anos, drenando efluentes para o rio Ferreira, prejudicava sobretudo as freguesias a jusante, nomeadamente Lordelo e Rebordosa, no norte do concelho de Paredes.

Autarcas das duas freguesias e população têm feito, ao longo dos anos, sucessivos alertas para o derrame de efluentes no rio, situação que sempre atribuíram à ETAR de Paços de Ferreira, poucos quilómetros a montante.

A empreitada hoje consignada vai permitir dotar a estação de tecnologias capazes de duplicar a sua capacidade, tratando os efluentes de 58.000 pessoas.

"Estamos a respeitar o ambiente e, acima de tudo, estamos a respeitar as pessoas", assinalou Humberto Brito, referindo-se sobretudo aos milhares de habitantes das duas freguesias do concelho vizinho que têm sido prejudicadas pelo mau funcionamento da ETAR de Paços de Ferreira.

Antes da conferência de imprensa, realizou-se junto à ETAR, em Arreigada, a cerimónia de consignação, na qual o presidente da câmara recordou o esforço do seu executivo que permitiu desbloquear um processo que estava parado há décadas por culpa, disse, dos sucessivos executivos de maioria PSD naquele concelho.

Humberto Brito agradeceu também o apoio do atual ministro do Ambiente, por ter contribuído para que a obra, no valor de 5,1 milhões de euros, pudesse ser uma realidade.

A intervenção hoje anunciada, comparticipada em 80% por fundos comunitários e com um prazo de execução de 30 meses, permitirá tratar cerca de 500 metros cúbicos de efluentes por hora e um volume médio de 10.000 metros cúbicos por dia, duplicando assim a capacidade do equipamento, segundo a empresa projetista.

O presidente da Câmara de Paredes agradeceu o esforço financeiro de cerca de um milhão de euros que Paços de Ferreira terá de fazer nesta empreitada, um investimento, reconheceu, que beneficiará principalmente a população de Lordelo e Rebordosa.

Alexandre Almeida assinalou que um problema com 27 anos vai ser agora possível resolver.

"Este é o início do fim para este problema", reforçou.

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