Opositores cubanos apoiam protestos na Venezuela para "expulsar do poder" Maduro

A Assembleia da Resistência Cubana expressou hoje, em Miami, nos Estados Unidos, o seu apoio aos protestos que estão a decorrer na Venezuela com o objetivo de "expulsar do poder" o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Apoiamos a Assembleia Nacional (AN, Parlamento) da Venezuela e o seu presidente, Juan Guaidó, como legítimos representantes" da nação sul-americana e "nos unimos ao povo venezuelano na sua justa e corajosa reivindicação de liberdade", indicaram os opositores cubanos, em comunicado.

"Não há espaço para as ditaduras no nosso hemisfério", realçou Sylvia Iriondo, presidente da organização Mães e Mulheres Contra a Repressão (M.A.R), que integra a Assembleia da Resistência Cubana.

Também Orlando Gutiérrez, secretário-geral da Direção Democrática Cubana, mostrou a sua solidariedade com o povo venezuelano no seu "pleno direito de sair às ruas em protesto para acabar com a ditadura assassina de Maduro". Uma ditadura "promovida e dirigida pelo regime totalitário cubano", acrescentou Orlando Gutiérrez.

A Assembleia da Resistência Cubana, formada por organizações no exílio e oposição cubana, expressou a sua determinação em "continuar a apoiar a luta do povo venezuelano para alcançar a liberdade, a democracia e a soberania".

A esse respeito, também apoiaram as manifestações em frente ao consulado venezuelano em Miami, assim como na cidade vizinha de Doral, na Flórida, onde se encontra uma grande comunidade de imigrantes daquele país.

Os apoiantes do chavismo, no poder, e da oposição venezuelana voltaram hoje a manifestar-se nas ruas do país, uns para apoiar outros para questionar a legitimidade de Nicolás Maduro, que o parlamento e grande parte da comunidade internacional não reconhece.

Os opositores venezuelanos mobilizaram a população dos 23 estados do país para solicitar a "cessação da usurpação" na Presidência da República.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, escreveu na sua conta da rede social Twitter que hoje "os olhos do mundo estarão" na Venezuela e reiterou o seu apelo às Forças Armadas para apoiarem "o caminho" com o qual esperam acabar com a chamada revolução bolivariana, no poder desde 1999.

O Fórum Penal Venezuela (FPV) anunciou hoje que pelo menos 43 pessoas foram detidas na Venezuela nas últimas 48 horas, quando participavam em protestos contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro.

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