ONU retira pessoal internacional de Hodeida - responsáveis do Iémen

Responsáveis do Iémen disseram hoje que as Nações Unidas retiraram o seu pessoal internacional de Hodeida, no Mar Vermelho, quando se espera um assalto das forças governamentais para capturar a cidade portuária.

Segundo as mesmas fontes, que não quiseram ser identificadas, o centro de operações da ONU na cidade está a ser gerido por pessoal local.

As forças governamentais, apoiadas pela coligação internacional dirigida pela Arábia Saudita, têm tentado tomar Hodeida, porto estratégico através do qual a maioria da população do Iémen recebe alimentos e medicamentos e controlado pelos rebeldes Huthis.

Cerca de 600.000 pessoas vivem em Hodeida e o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se na segunda-feira à porta fechada para tentar impedir um ataque, que segundo o Reino Unido estará iminente, com as forças governamentais a dez quilómetros da cidade portuária.

Segundo a ONU, o seu mediador para o Iémen, o britânico Martin Griffiths, está envolvido em "intensas negociações" com os Huthis, apoiados pelo Irão, mas também com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que apoiam as forças lealistas iemenitas, para "evitar uma batalha feroz e sangrenta em Hodeida".

"Uma batalha por Hodeida será certamente longa e deixará milhões de iemenitas sem alimentos, combustível e outros fornecimentos vitais", advertiu o grupo de reflexão sobre conflitos International Crisis Group (ICG).

Os Estados Unidos "não deviam dar luz verde a uma ofensiva sobre Hodeida" e deviam antes "pressionar os Emirados Árabes Unidos a parar a movimentação dos homens sob o seu controlo" para evitar que o conflito entre numa "nova fase mais devastadora", sublinhou o ICG.

Em 2015, a Arábia Saudita fomentou uma coligação militar para auxiliar o Presidente iemenita, Abd Rabbo Mansour Hadi, reconhecido internacionalmente, face aos rebeldes xiitas Huthis que controlam vastas regiões do país, incluindo a capital Sanaa.

O conflito já provocou cerca de 11.000 mortos e ainda "a pior crise humanitária do mundo", segundo a ONU, com certas regiões do Iémen à beira da fome generalizada.

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