Olavo Delgado Correia vence primeira edição do Prémio Literário Arnaldo França

Olavo Delgado Correia é o vencedor da primeira edição do Prémio Literário Arnaldo França, segundo foi anunciado no decorrer da Morabeza --- Festa do Livro de Cabo Verde que decorre no Mindelo, ilha de São Vicente.

Olavo Delgado Correia, que concorreu a este prémio com o pseudónimo Neto Rocha Dias, nasceu em 1967 e é natural da cidade da Praia, na ilha de Santiago.

O júri deste prémio elegeu Olavo Delgado Correia como vencedor da primeira edição do Prémio pela obra "Beato Sabino", que será agora publicado em Cabo Verde e Portugal.

Este anúncio decorreu na sexta-feira durante a sessão de boas-vindas da Morabeza e resultou da escolha do júri que, reunido no passado dia 16 de outubro, optou por esta obra, entre as 13 concorrentes, por ser "um trabalho inédito e de grande qualidade, com um enredo peculiar e uma linguagem clara e bem conseguida", segundo a presidente do júri, Vera Duarte.

O júri, do qual fez igualmente parte Daniel Medina e Paula Mendes, atribuiu uma menção honrosa a Onestaldo Ferreira Fontes, que concorreu com o pseudónimo Ivan Faruk e a obra "O Sonho de Ícaro".

Esta obra mereceu a menção honrosa "pela originalidade com que trata os temas da emigração e da traição e pela mestria na condução escrita do romance", segundo o júri.

O Prémio Literário Arnaldo França é uma iniciativa conjunta da Imprensa Nacional de Cabo Verde (INCV) e da Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM) e tem como objetivo "incentivar o talento literário em Cabo Verde".

Além de 5.000 euros, o vencedor terá direito à publicação da obra vencedora nos dois países.

Para o presidente da INCV, Miguel Semedo, o prémio pretende homenagear a "literatura nacional, promover os escritores cabo-verdianos e, concomitantemente, contribuir para a elevação da língua portuguesa".

Por outro lado, disse, com este prémio pretende-se prestar um merecido tributo ao homem, cidadão e escritor Arnaldo França.

"Trata-se de um reconhecimento singelo, mas recheado de simbolismo, da vida e obra do referido escritor. Esperamos ademais que este prémio sirva para aproximar uma das instituições mais antigas do país dos cidadãos", acrescentou.

Arnaldo França (1925-2015) foi um poeta, ensaísta, académico, crítico, estudioso, estadista e historiador da literatura cabo-verdiana.

O diretor da unidade de publicações da INCM, Duarte Azinheira, sublinhou a "estreita ligação entre as duas instituições e a sua missão de promover a literatura de língua portuguesa, especialmente a cabo-verdiana".

"O Prémio Arnaldo França, criado em parceria com a INCV, tem por missão promover a língua portuguesa e, simultaneamente, ajudar a criar condições para que mais talentos literários possam surgir em Cabo Verde", disse.

A promoção da língua é, segundo Duarte Azinheira, um desígnio estratégico para a INCM que se concretiza, principalmente, no seu plano de edições de serviço público e nos vários prémios literários que apoia".

"É uma felicidade que o Prémio Arnaldo França se inicie no ano em que Imprensa Nacional de Portugal comemora 250 anos de atividade contínua. Não imagino lugar melhor para apresentar este prémio que a Morabeza, uma maravilhosa festa literária".

A Morabeza arrancou em 19 de outubro e encerra no domingo.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

"Corta!", dizem os Diáconos Remédios da vida

É muito irónico Plácido Domingo já não cantar a 6 de setembro na Ópera de São Francisco. Nove mulheres, todas adultas, todas livres, acusaram-no agora de assédios antigos, quando já elas eram todas maiores e livres. Não houve nenhuma acusação, nem judicial nem policial, só uma afirmação em tom de denúncia. O tenor lançou-lhes o seu maior charme, a voz, acrescida de ter acontecido quando ele era mais magro e ter menos cãs na barba - só isso, e que já é muito (e digo de longe, ouvido e visto da plateia) -, lançou, foi aceite por umas senhoras, recusado por outras, mas agora com todas a revelar ter havido em cada caso uma pressão por parte dele. O âmago do assunto é no fundo uma das constantes, a maior delas, daquilo que as óperas falam: o amor (em todas as suas vertentes).

Premium

Crónica de Televisão

Os índices dos níveis da cadência da normalidade

À medida que o primeiro dia da crise energética se aproximava, várias dúvidas assaltavam o espírito de todos os portugueses. Os canais de notícias continuariam a ter meios para fazer directos em estações de serviço semidesertas? Os circuitos de distribuição de vox pop seriam afectados? A língua portuguesa resistiria ao ataque concertado de dezenas de repórteres exaustos - a misturar metáforas, mutilar lugares-comuns ou a começar cada frase com a palavra "efectivamente"?

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O voluntariado

A voracidade das transformações que as sociedades têm sofrido nos últimos anos exigiu ao legislador que as fosse acompanhando por via de várias alterações profundas à respetiva legislação. Mas há áreas e matérias em que o legislador não o fez e o respetivo enquadramento legal está manifestamente desfasado da realidade atual. Uma dessas áreas é a do voluntariado. A lei publicada em 1998 é a mesma ao longo destes 20 anos, estando assim obsoleta perante a realidade atual.