Óbito/João Semedo: Ana Catarina Mendes fala num homem de convicções e causas

A secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, considerou que o ex-dirigente do BE João Semedo, que morreu hoje aos 67 anos, deve ser relembrado como um homem de causas e convicções porque deixa um legado de "liberdade".

"João Semedo deixa-nos, em primeiro lugar, um legado de liberdade e de democracia. João Semedo foi um combatente antifascista, foi um resistente da ditadura, foi um construtor da democracia, por isso, o PS lamenta profundamente a sua morte", disse à saída do velório do ex-dirigente do BE, na Cooperativa Árvore, no Porto.

Em representação do PS, dado o primeiro-ministro, António Costa, estar em Cabo Verde para participar na XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a secretária-geral adjunta referiu que João Semedo deve ser recordado como um homem de "causas e convicções".

Emocionada, a socialista lembrou que o bloquista travou uma luta até ao seu último suspiro na defesa pela dignidade humana.

Sublinhando o seu legado e apresentando as condolências à família e ao BE, Ana Catarina Mendes contou ter privado anos no parlamento com João Semedo, de quem guarda uma "memória muito terna" e de alguém que soube passar aos mais jovens a imagem do que é o respeito pela diferença.

"João Semedo deixa saudades", afirmou.

Já o vereador do PSD na Câmara Municipal do Porto Álvaro Almeida classificou o bloquista como um "político aguerrido e um adversário temível".

"No domínio da relação pessoal era uma pessoa afável, cordial e com quem sempre tive boa relação, independentemente das divergências políticas", frisou.

Falando numa "personagem muito relevante" da vida política nacional, o deputado do PCP António Filipe adiantou que João Semedo foi um "parlamentar distinto", apesar das divergências.

"Foi uma grande contribuição para a Assembleia da República", vincou.

Por seu lado, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, falou num "momento doloroso" pela perda de um amigo e lutador.

"Temos tido um ano difícil, foi o António Arnaut e agora o João Semedo. São pessoas que vão fazer muita falta", ressalvou.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, chegou ao velório ainda não eram 17:00 e, visivelmente emocionada, recordou João Semedo como um homem combativo e de causas.

Também o ex-dirigente do partido Francisco Louçã esteve no velório de João Semedo, assim como o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, o atual bispo emérito das Forças Armadas e Segurança, Januário Torgal Ferreira, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, e deputados de diferentes partidos políticos.

O corpo de João Semedo está em câmara ardente na Cooperativa Árvore, a pedido da família, pelo facto de ser um sócio de longa data e ter feito parte dos órgãos sociais, desempenhando ainda funções executivas, lê-se numa nota afixada à porta do local.

"João Semedo fez parte da história da Árvore", é referido no documento, recordando-se também o seu exemplo de "grande dedicação e empenho".

O funeral de João Semedo sairá na quarta-feira, pelas 13:30, da Cooperativa Árvore em direção ao cemitério do Prado do Repouso, no Porto.

Após 30 anos de militância no PCP, João Semedo aderiu ao BE em 04 de abril de 2007, apesar de a aproximação ao partido ter acontecido três anos antes, quando integrou, enquanto independente, as listas bloquistas às eleições europeias de 2004, a convite de um dos fundadores do Bloco Miguel Portas.

Depois da saída de Francisco Louçã de líder do partido, entre 2012 e 2014, João Semedo assumiu a coordenação, em conjunto com Catarina Martins, numa solução de liderança bicéfala que os bloquistas viriam a abandonar.

O ex-coordenador do BE e médico teve uma vida marcada pela política e participação cívica, tendo as duas últimas lutas sido a despenalização da eutanásia e a defesa do Serviço Nacional de Saúde.

A batalha de João Semedo contra o cancro começou em 2015, quando renunciou ao mandato de deputado da Assembleia da República que exercia desde 2006.

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