Novo embaixador da UE em Pequim insta China a reforma conjunta da OMC

O novo embaixador da União Europeia (UE) na China, Nicolas Chapuis, apontou hoje como uma das prioridades mais urgentes reformar "com êxito" a Organização Mundial do Comércio (OMC), face às atuais tensões comerciais entre Pequim e Washington.

Chapuis, antigo embaixador francês no Canadá e Mongólia, assegurou na sua apresentação à imprensa, em Pequim, que deseja continuar a trabalhar para que a UE deixe de ser apenas um poder brando, e se converta num ator mais forte, com "pleno poder", nas relações com Pequim.

O diplomata instou a um estreitar de laços, a nível económico e político, com a China, face "à volátil situação global", nomeadamente a guerra comercial em curso entre Washington e Pequim.

"Podemos fazer muitas coisas juntos, para aliviar as tensões no comércio e economia globais", disse.

Chapuis destacou como "mais urgente" a reforma da OMC, algo já acordado por ambas as partes, durante a cimeira China-UE, em julho passado, visando evitar o caos no sistema político e económico internacional.

"A Europa deve construir com a China um bloco de estabilidade e prosperidade", assegurou o diplomata francês, considerando aquele processo "crucial" para o resto do mundo.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas de 25% sobre 50 mil milhões de dólares (43 mil milhões de euros) e Pequim retaliou com taxas sobre o mesmo montante de bens importados dos EUA.

Em causa está a política de Pequim para o setor tecnológico, nomeadamente o plano "Made in China 2025", que visa transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Bruxelas defende que "há melhores formas de lidar com os problemas" do que a estratégia seguida por Trump, mas que "partilha das mesmas preocupações que os EUA" sobre a falta de acesso a vários setores da economia chinesa.

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