Negociador do Governo colombiano com ELN vê porta aberta à extensão do cessar-fogo

O principal negociador do Governo colombiano nos diálogos de paz com a guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN) afirmou que o cumprimento do cessar-fogo "abre a porta" para que seja prolongado após 09 de janeiro.

As avaliações que têm sido realizadas por diferentes instituições, como as Nações Unidas, mostram um "balanço muito satisfatório" dos três meses de vigência do cessar-fogo, afirmou Juan Camilo Restrepo, na quinta-feira, aos jornalistas, após reunir-se com o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

"Não se verificou nenhum incidente armado", realçou.

"Grande parte dos compromissos humanitários também foi cumprida satisfatoriamente", observou Juan Camilo Restrepo, que confirmou que vai deixar o cargo de chefe negociador do Governo, "por razões profissionais e familiares", em 08 de janeiro.

O negociador, que recordou que o cessar-fogo do ELN constitui o primeiro da guerrilha em 53 anos, indicou que os diálogos de paz, que decorrem desde fevereiro em Quito (Equador), "não se circunscreveram apenas ao tema do cessar-fogo", tendo-se também "começado a desenvolver a agenda" das negociações.

A trégua, que foi acordada a 04 de setembro para pôr fim ao mais antigo conflito no continente, dura até ao próximo dia 09 de janeiro, mas pode ser prolongada.

Após o acordo assinado com a antiga guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), em novembro de 2016, o Governo colombiano tenta alcançar a "paz plena", negociando um pacto similar com o ELN para pôr termo a mais de meio século de conflito armado.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

OE 2019 e "o último orçamento que acabei de apresentar"

"Menos défice, mais poupança, menos dívida", foi assim que Mário Centeno, ministro das Finanças, anunciou o Orçamento do Estado para 2019. Em jeito de slogan, destacou os temas que mais votos poderão dar ao governo nas eleições legislativas, que vão decorrer no próximo ano. Não é todos os anos que uma conferência de imprensa no Ministério das Finanças, por ocasião do orçamento da nação, começa logo pelos temas do emprego ou dos incentivos ao regresso dos emigrantes. São assuntos que mexem com as vidas das famílias e são temas em que o executivo tem cartas para deitar na mesa.

Premium

João Gobern

Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.