NATO insta Rússia a "assumir responsabilidades" para preservar tratado nuclear

A NATO voltou hoje a instar a Rússia a repensar a sua posição e a deixar de violar o tratado das armas nucleares de médio alcance (INF), devendo "assumir as suas responsabilidades" para evitar a saída dos Estados Unidos.

Falando hoje em conferência de imprensa em Bruxelas, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Jens Stoltenberg, recordou que a saída dos Estados Unidos do INF, anunciada no início deste mês, "vai ter efeito em seis meses", pelo que, para o evitar, "a Rússia tem agora de assumir as suas responsabilidades" no desrespeito do acordo.

"A violação do tratado das armas nucleares não é aceitável e é essa a mensagem que quero transmitir hoje", vincou o responsável.

Aludindo às "violações russas ao tratado", Jens Stoltenberg disse ser um "assunto muito sério porque estes mísseis são difíceis de detetar e podem vir a atingir os cidadãos europeus", sendo essa a maior preocupação da NATO.

"Apelamos a que a Rússia repense a sua postura, mas ao mesmo tempo vamos dar passos para assegurar a segurança de todos face aos mísseis russos", salientou o responsável.

Para isso, na reunião dos ministros da Defesa da NATO, que decorre em Bruxelas na quarta e quinta-feira, serão discutidos os "passos a dar" caso a Rússia não aceda ao apelo.

"Não vou especular quais serão esses passos, mas posso assegurar que qualquer passo que daremos será cauteloso", adiantou Jens Stoltenberg.

O responsável garantiu que o lançamento de novos mísseis na Europa não está em cima da mesa.

No início deste mês, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, confirmou que os EUA vão retirar-se do tratado de armas nucleares de médio alcance e o Presidente norte-americano, Donald Trump, responsabilizou a Rússia por violar esse acordo.

O Presidente russo, Vladimir Putin, respondeu imediatamente que Moscovo também suspendeu a sua participação no acordo.

No dia em que Washington anunciou formalmente a decisão de se retirar do tratado, o que terá efeitos dentro de seis meses, a NATO defendeu, em comunicado, que os Estados Unidos - o membro com mais "peso" no seio da organização - apenas estão a responder a uma clara violação do Tratado INF por parte da Rússia.

A organização sublinhou que "os Aliados apoiam integralmente esta ação".

"A menos que a Rússia honre as suas obrigações ao abrigo do Tratado INF, através da destruição verificável de todos os seus sistemas (de mísseis) 9M729, voltando ao pleno cumprimento (do tratado) antes que a saída dos EUA entre em vigor dentro de seis meses, a Rússia será a única responsável pelo fim do Tratado", argumentou a NATO.

A organização garantiu ainda assim que os Aliados permanecem "firmemente empenhados" na política de controlo, desarmamento e não-proliferação de armas.

O tratado INF foi assinado em Washington entre os EUA e a União Soviética, em 1987, e entrou em vigor em 1988, estipulando a eliminação de todos os mísseis convencionais e nucleares com alcance entre 500 e 5.000 quilómetros.

Este tratado é considerado uma pedra angular no controlo de uma nova corrida às armas nucleares e o seu abandono constituiu uma ameaça que preocupa várias organizações internacionais.

Na conferência de imprensa, Jens Stoltenberg foi ainda questionado sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, no âmbito do 'Brexit', e reiterou que este processo não afeta a NATO, já que não está em causa a "cooperação transatlântica".

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