"Não faltar a Soares é valorizar a democracia e o europeísmo" - Ferro Rodrigues

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, considerou hoje que a melhor forma de evocar o antigo Presidente Mário Soares é "valorizar as suas causas de sempre: a democracia, o europeísmo, a justiça social, os direitos humanos".

"Mário Soares faz-nos falta, Maria Barroso faz-nos falta. Não esqueço o que lhe devo, não esqueço o que lhe devemos. A melhor forma de não lhe faltarmos é valorizarmos hoje as suas causas de sempre: a democracia, o europeísmo, a justiça social, os direitos humanos", afirmou Eduardo Ferro Rodrigues, na sua intervenção no tributo promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, um ano depois da morte do antigo Presidente da República.

Ferro Rodrigues recordou que Mário Soares "defendia o direito à indignação, o dever de lutar pelas suas convicções e a superioridade do debate e da tolerância".

"Na Assembleia da República e fora dela, vamos continuar a bater-nos por tudo isto", disse.

Mário Soares, acrescentou, "era um lutador, alguém que sabia que nada estava eternamente adquirido" e que "tudo tinha de ser conquistado e defendido de forma democrática".

Para o presidente da Assembleia da República, o antigo Presidente "mudou" a vida dos portugueses, porque foi a partir da sua visão que Portugal embarcou "na aventura da democracia, da Europa e do progresso social".

Soares "nunca precisou de ser populista para ser popular" e era um homem que "respirava liberdade e democracia", comentou ainda.

"Como ele costumava dizer, quase todos os eleitores portugueses acima dos 45 anos votaram nele pelo menos uma vez. Não deixava ninguém indiferente, tocava-nos a todos", sublinhou.

Cerca de 300 pessoas, incluindo membros do Governo e do município e deputados socialistas, assistiram hoje à cerimónia de homenagem a Mário Soares, na capela do Cemitério dos Prazeres, uma iniciativa da Câmara de Lisboa.

Intervieram no tributo, na capela do cemitério, o presidente do município lisboeta, Fernando Medina; os dois filhos de Mário Soares, João e Isabel Soares; o primeiro-ministro, António Costa; o presidente da Assembleia da República e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O tributo teve início com uma breve cerimónia de deposição de quatro coroas de flores junto ao jazigo de Maria Barroso e Mário Soares.

As coroas, da Câmara Municipal de Lisboa, do Governo, da Assembleia da República e da Presidência da República, foram sendo depositadas por elementos da guarda de honra da GNR.

Sucessivamente, o autarca Fernando Medina, António Costa, Ferro Rodrigues e Marcelo Rebelo de Sousa ajeitaram as fitas das coroas e prestaram uma breve homenagem junto ao jazigo.

Depois, a guarda de honra entoou os toques do silêncio e o toque de alvorada.

Após os discursos, foi inaugurada a exposição "A Cerimónia do Adeus - O Funeral de Estado de Mário Soares Visto pelos Fotógrafos", composta por 49 fotografias de fotojornalistas portugueses que acompanharam, há um ano, as cerimónias fúnebres.

A exposição estará patente na galeria de exposições temporárias da capela do Cemitério dos Prazeres até ao dia 10 de junho.

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