Nações Unidas de prevenção no norte de Moçambique por causa do ciclone Kenneth

Nações Unidas, 25 abr 2019 (Lusa) -- O coordenador Humanitário das Nações Unidas em Moçambique, Marcoluigi Corsi, disse hoje que a organização já tomou medidas e está de prevenção para responder ao ciclone Kenneth, que hoje chegou ao norte do país.

"A ONU mobilizou uma equipa que já está em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, e colocou bens de ajuda para assistir a população dos distritos que poderão ser afetados", disse Corsi à ONU News.

O centro do ciclone Kenneth chegou ao continente ao princípio da noite e os ventos deverão atingir os 180km/h, acompanhados de rajadas fortes, chuvas intensas e trovadas severas.

As populações das províncias de Cabo Delgado e Nampula começaram a ser transferidas das áreas em risco, várias horas antes da chegada do ciclone.

Um representante da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) anunciou na rede social Twitter que, apesar das precauções que estão a ser tomadas, "não há muito que se possa fazer para evitar que este desastre aconteça".

Segundo Daniel Timme, na quarta-feira foram enviados para o terreno especialistas da área da saúde, nutrição, água, saneamento e proteção de crianças.

"Será crucial que estas pessoas estejam lá para trabalhar com as organizações de emergência do país para organizar a primeira resposta", afirmou o representante, acrescentando que é muito importante "preparar bens que serão transportados da Beira para o norte, mas também de Maputo para o norte."

A Unicef está a preparar kits de purificação de água, matérias para construir abrigos e centros de saúde de emergência, mas também bens básicos de alimentação e saúde.

O porta-voz do Programa Mundial de Alimentação (PMA), Herve Verhoosel, referiu que são esperadas "chuvas fortes que vão provocar inundações repentinas e deslizamentos de terras".

Para Herve Verhoosel, "outra tempestade [idêntica ao ciclone Idai] seria um golpe adicional para o povo de Moçambique e complicaria ainda mais a resposta em todas as áreas".

O PMA tem cerca de 300 toneladas de ajuda alimentar nas cidades costeiras do norte de Palma e Mocímboa da Praia, onde os parceiros humanitários foram aconselhados a "preparar os armazéns para proteger os alimentos e enfrentar a tempestade."

Também o porta-voz do secretário-geral da ONU António Guterres disse que o departamento dos Assuntos Humanitários "tem trabalhado para colocar equipas de busca e resgate em alerta para uma possível intervenção, caso seja necessário."

Alguns distritos do norte de Moçambique estão a ser atingidos por ventos muitos fortes e chuva intensa desde o princípio da noite de hoje.

O ano de 2019 fica na história como o primeiro em que o país foi atingido por dois ciclones de categoria dois ou superior na mesma época chuvosa - depois de o Idai ter atingido o Centro do território em março, provocando 603 mortos e afetando 1,5 milhões de pessoas.

Prevê-se que o ciclone Kenneth diminua de intensidade depois de deixar de ser alimentado pelas águas quentes do oceano Índico, mas, ainda assim, deverá produzir elevada precipitação, suficiente para causar cheias repentinas que podem ser violentas nalguns locais.

As autoridades moçambicanas anunciaram ter evacuado as zonas de risco de cheias desde a ativação do alerta vermelho, na quarta-feira, transferindo cerca de 30 mil pessoas para mais de 30 centros de acolhimento, a maioria instalados em escolas.

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