Muro e militares na fronteira com México é risco inaceitável - chefe dos 'marines'

O comandante dos 'marines' norte-americanos, o general Robert Neller, considerou que o destacamento de militares para a fronteira com o México e o muro pretendido pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, representam um "risco inaceitável" para os seus soldados.

A informação consta de documentos internos citados hoje pelo Los Angeles Times.

Em dois memorandos dirigidos ao secretário da Defesa interino, Patrick Shanahan, e ao seu adjunto para a Marinha, Richard Spencer, Neller indicou que os destacamentos "imprevistos e não orçamentados" ordenados por Donald Trump obrigaram-no a reduzir ou anular exercícios militares previstos em cinco países.

Os 'marines' não participaram em exercícios previstos na Indonésia, Escócia e Mongólia e a sua participação em manobras militares conjuntas na Austrália e Coreia do Sul vai ser reduzida, acrescentou o oficial nestes documentos datados de 18 e 19 de março.

O jornal publicou cópias destes documentos internos, sobre os quais o Pentágono recusou fazer comentários.

Por outro lado, por causa do procedimento de urgência que Trump decretou para desbloquear 6,7 mil milhões de dólares (5,9 mil milhões de euros) do orçamento 2019 do Pentágono para financiar a construção do muro, os 'marines' não vão poder financiar a reconstrução das suas bases destruídas pelos furacões nos Estados da Carolina do Norte e Geórgia, acrescentou o general.

"A época dos furacões começa dentro de três meses e nós temos 'marines', marinheiros e civis que trabalham em estruturas que não são seguras", especificou.

"O orçamento para 2019 era suposto ser um 'bom' orçamento, 'nos prazos' e com um montante superior. Estes atributos positivos foram agora anulados por fatores negativos (...), que impõem riscos inaceitáveis à preparação para o combate do corpo de 'marines' e à sua solvabilidade", sublinhou o general Neller.

O secretário da Defesa interino ainda não desbloqueou os fundos reclamados pela Casa Branca. Na próxima semana vai ser ouvido no Congresso, sobre o projeto de orçamento para 2020, que prevê mais 3,6 mil milhões de dólares para a construção de uma "barreira fronteiriça".

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