Movimento avança com providência cautelar para evitar construção de incineradora em São Miguel, Açores

O movimento "Salvar a Ilha", contra incineração em São Miguel, Açores, vai avançar com uma "providência cautelar" para evitar a construção de uma incineradora, adjudicada pela Associação de Municípios de São Miguel no valor de 65 milhões de euros.

"A providência cautelar é um recurso, é uma ação judicial que está disponível e é uma ação que tem efeitos imediatos e o processo está muito bem fundamentado, está a ser tratado por juristas e com o contributo de grande parte dos elementos deste movimento e irá avançar para instância própria e logo se verá o que a justiça em Portugal tem a dizer", avançou esta tarde Filipe Tavares, em declarações aos jornalistas.

O porta-voz do movimento falava no decorrer de uma manifestação que se iniciou às 16:00 horas (17:00 em Lisboa) e vai estender-se até às 20:00 horas, nas Portas da Cidade, em Ponta Delgada, "contra a incineração em São Miguel" e onde especificou a fundamentação da providência cautelar.

"Em primeiro lugar, as questões de natureza de saúde pública e de ambiente, que são as principais, e depois quando começámos a investigar este processo todo começaram a abrir-se portas para outros assuntos, nomeadamente a sustentabilidade económica deste processo, que é um autêntico desastre, é colossal", afirmou.

Filipe Tavares lembra ainda que a Associação de Municípios de São Miguel partiu para "uma solução que estava no fim da linha da hierarquia da gestão dos resíduos", quando na sua opinião teriam de "ter sido esgotadas outras soluções que defendem a saúde pública e o ambiente e que são muito mais económicas" do que a instalação de uma incineradora na ilha de São Miguel.

"O movimento acredita que a esperança é a ultima a morrer e nós estamos decididos a levar à frente tudo o que estiver ao nosso alcance para travarmos aqui a incineradora, visto não ter havido a sensatez nem o bom senso para o recuo politico por parte da entidade que está a promover esta obra", disse.

Entre os manifestantes estava a meteorologista Fernanda Carvalho, que aos jornalistas disse que o estudo feito para avaliar o impacto ambiental para a construção da futura incineradora em São Miguel "peca em várias vertentes".

"Para já porque utiliza só um ano de informação meteorológica, 2009, ora um ano só não tem qualquer representação nem a nível de clima nem estatisticamente. Segundo, os processos de deposição são completamente ignorados no estudo, especialmente a deposição húmida era como se não chovesse ou não houvesse humidade na ilha de são Miguel o que é completamente absurdo", explicou a técnica superior de meteorologia.

Fernanda Carvalho defende "uma calendarização mais prolongada dos estudos" para avaliar o real impacto da construção de uma incineradora em São Miguel.

"Há que haver também uma monotorização no período pré-construção para haver uma comparação e até agora, portanto, os prazos que estão definidos a nível do período de monotorização e a frequência de amostragem não cumprem o que está regulamentado", disse.

A manifestação contava ao final da tarde com a participação de cerca de uma centena de pessoas.

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