Misericórdia do Porto critica escolha de Lisboa para instalar a Agência do Medicamento

A Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP) pediu hoje ao Governo que divulgue todos os estudos que justificam a escolha de Lisboa para receber a Agência Europeia do Medicamento (EMA), criticando a opção governamental.

Em comunicado enviado à Lusa, a SCMP "associa-se à posição evidenciada pelo presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, a propósito do Porto poder receber a EMA".

"Solicita-se também que o Governo divulgue todos os estudos que justificam a sua opção [por Lisboa], esquecendo uma região e uma cidade com condições técnicas, humanas e financeiras para tal, e onde se situa o mais importante centro científico nesta área", conclui a SCMP.

Na quinta-feira, o Câmara do Porto pediu ao Governo que divulgue publicamente e forneça os estudos que levaram à decisão de apenas candidatar Lisboa como localização para instalação em Portugal da EMA.

A decisão de candidatar Portugal a receber esta agência, atualmente instalada no Reino Unido, foi tomada a 27 de abril, pelo Conselho de Ministros, segundo uma resolução publicada em Diário da República, no passado dia 05.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros referiu-se na quarta-feira "à existência de 'estudos e ponderação' que levaram o Governo a tomar a decisão de excluir o Porto e outras cidades portuguesas, além de Lisboa, como possíveis localizações e alternativas que pudessem valorizar a candidatura portuguesa", sustentou, então, a autarquia.

Em entrevista à Lusa, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, afirmou que Portugal é considerado um dos cinco candidatos mais fortes para receber a EMA e que o país tem de ter "uma candidatura ganhadora".

O ministro frisou que a candidatura "é de Portugal", tendo a escolha de Lisboa surgido por "requisitos específicos" que fazem a candidatura mais forte.

Campos Fernandes disse ainda esperar que os portugueses se "unam em torno de um objetivo nacional".

Há cerca de duas dezenas de outros interessados em receber a EMA, que vai abandonar o Reino Unido na sequência do 'Brexit'.

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