Ministro israelita apela a judeus de França para imigrarem para Estado hebreu

O ministro da Imigração israelita, Yoav Gallant, apelou hoje aos judeus para imigrarem para o Estado hebreu, após a profanação de um cemitério judeu no nordeste da França.

"Condeno vigorosamente o antissemitismo em França e apelo aos judeus: voltem a casa, imigrem para Israel", disse Gallant na rede social Twitter.

A profanação de cerca de 80 túmulos de um cemitério judeu na Alsácia foi descoberta hoje, no mesmo dia em que as autoridades francesas apelam à mobilização face ao aumento dos atos antissemitas em França.

"A profanação (do) cemitério desperta as imagens de períodos sombrios na história do povo judeu", referiu Gallant.

O ministro israelita indicou ter visitado a semana passada a comunidade judaica de Paris, adiantando que esta enfrenta uma "ofensiva antissemita e um processo de assimilação".

"A assimilação" -- social ou cultural através, por exemplo, do casamento -- também é uma preocupação para alguns judeus preocupados com a preservação da sua identidade.

Apelos como o de Gallant não são inéditos e em 2015 o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, irritou os dirigentes franceses ao dizer aos judeus de França que Israel era o seu "lar", após o assassínio de quatro judeus por um 'jihadista' num supermercado de Paris.

Israel, que afirma ser a nação do povo judeu, construiu-se em grande parte como um refúgio. A imigração dos judeus para Israel ("aliyah") é um elemento fundamental da política nacional e foi encorajada pela Agência Judaica antes mesmo da criação do Estado de Israel, em 1948.

Desde essa data, mais de três milhões de judeus fizeram a sua "aliyah" para escapar às perseguições ou em nome do ideal sionista.

Hoje ao final da tarde realiza-se em Paris a marcha contra o antissemitismo, sugerida pelo líder dos socialistas franceses e que vai contar com a presença do primeiro-ministro, de vários membros do Governo e do ex-Presidente François Hollande.

A marcha foi convocada por Olivier Faure, secretário-geral do Partido Socialista, na semana passada, depois de ter sido anunciado pelo Governo francês que os crimes antissemitas aumentaram 74% em França durante o ano passado. Rapidamente mais de 14 partidos se juntaram à iniciativa, assim como figuras da cultura e das artes.

O aumento dos crimes contra a comunidade judaica já tinha levado o Presidente Emmanuel Macron a pronunciar-se.

"O antissemitismo é a negação da República, tal como atacar eleitos ou instituições (...). Nós seremos implacáveis contra quem cometer este tipo de crimes", disse o Presidente francês, Emmanuel Macron, no início do último conselho de ministros.

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