Ministro da Administração Interna diz que há "serenidade" no país

O ministro da Administração Interna afirmou hoje que "a serenidade caracteriza o país", após uma cerimónia de atribuição de cavalos à GNR, em que destacou a "empatia" da população com as forças de segurança.

Salientando que a GNR e outras forças de segurança são "a garantia de um país seguro", o governante considerou que em Portugal há empatia das populações em relação às polícias, que são "garantia da segurança, da qualidade de vida, da tolerância e da afirmação dos direitos e liberdades fundamentais".

Questionado pelos jornalistas sobre os atos de vandalismo que marcaram as últimas noites em vários locais da Área Metropolitana de Lisboa e em Setúbal, Eduardo Cabrita afirmou que há "serenidade e tranquilidade" e que "a serenidade caracteriza o país".

A PSP reforçou nos últimos dias o policiamento na Bela Vista, em Setúbal, e em algumas zonas dos concelhos de Loures, Odivelas e Sintra (distrito de Lisboa), após incidentes registados à noite, com o lançamento de "cocktails Molotov" contra uma esquadra e o incêndio de caixotes do lixo e de várias viaturas.

A PSP informou estar a investigar os incidentes, não tendo indícios de alguma associação dos mesmos com uma manifestação de protesto contra uma intervenção policial no bairro da Jamaica, no Seixal (Setúbal).

A manifestação, que ocorreu em frente ao Ministério da Administração Interna na segunda-feira, em Lisboa, foi convocada para dizer "basta à violência policial" e "abaixo o racismo".

Segundo a polícia, quatro pessoas foram detidas na sequência do apedrejamento de elementos da PSP por participantes no protesto.

No domingo passado, os incidentes em Vale de Chícharos, conhecido por bairro da Jamaica, resultaram em seis feridos ligeiros -- cinco civis e um polícia. O Ministério Público e a PSP abriram inquéritos.

Moradores ouvidos pela Lusa no bairro da Jamaica negaram o seu envolvimento na manifestação em Lisboa e afirmaram-se revoltados com a atuação da polícia na zona.

Eduardo Cabrita falava na entrega de 39 cavalos à Guarda Nacional Republicana que serão utilizados em nove comandos territoriais, de Vila Real a Faro, e na Unidade de Segurança e Honras de Estado, sedeada na Ajuda, em Lisboa.

O policiamento de proximidade a cavalo, sobretudo em "zonas de grande dimensão turística", contribui para a "simpatia na relação das populações e visitantes" com a GNR.

O ministro afirmou que é preciso "apostar na valorização de homens e mulheres" da GNR, indicando que foi autorizada a promoção de 1.514 militares nas classes de guardas, sargentos e oficiais.

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