Mineração intensiva do fundo do mar vai ser testada em abril, cientistas estudam efeitos

Uma empresa belga vai testar em abril no oceano Pacífico a mineração em larga escala do fundo do mar, um projeto que será acompanhado por cientistas, que vão estudar os efeitos ambientais.

O teste é o primeiro de uma técnica para aspirar metais como cobre ou ferro em larga escala, processo que será acompanhado por uma equipa independente de cientistas europeus, que vão estudar os efeitos nos ecossistemas marinhos dos sedimentos levantados pela mineração, de acordo com a última edição da revista Nature.

As empresas de mineração sempre desejaram explorar os metais preciosos e valiosos do fundo mar, uma prática para a qual os cientistas sempre alertaram, afirmando que pode provocar danos irreparáveis nos ecossistemas marinhos.

De acordo com a Nature, o trabalho dos cientistas poderá ajudar a criar um código de conduta internacional sobre mineração comercial minimizando os danos na vida marinha.

"Com sorte isso vai ajudar-nos a preencher algumas lacunas no conhecimento que temos sobre os impactos esperados da mineração em águas profundas", disse Matthias Haeckel, da Universidade de Kiel, Alemanha, que lidera a expedição científica de acompanhamento.

A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, criada no âmbito da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar e que junta 168 países, debateu a questão do código de conduta no mês passado e espera ter essas normas prontas no próximo ano.

A entidade admite emitir licenças de exploração de 30 anos e já concedeu 29 licenças para explorar minerais no fundo do mar, mais de metade para a chamada "Clarion Clipperton Zone", no Oceano Pacífico, onde existem muitos milhões de nódulos polimetálicos, aglomerados de metais diversos, como manganês, cobre e ferro, do tamanho de uma batata.

Em abril a empresa Global Sea Mineral Resources vai usar uma máquina chamada Patania II para sugar esses depósitos, durante uma semana, numa área de 300 por 300 metros. A empresa quer lançar a mineração em larga escala até 2026.

A bordo da embarcação 'RV Sonne' os cientistas vão ao mesmo tempo colocar câmaras e sensores no mar para monitorizar como é que a dragagem vai agitar os sedimentos do fundo do mar.

Os investigadores temem que esses sedimentos possam enterrar, sufocar e intoxicar a vida do fundo do mar.

Um estudo divulgado em janeiro indicava que os sedimentos podem levar até dez vezes mais tempo a reassentar do que se julgava. Kristina Gjerde, especialista em políticas de alto mar da União Internacional para a Conservação da Natureza, advertiu que a experiência não mediu os efeitos a longo prazo de uma mineração feita durante 30 anos, 24 horas por dia e sete dias por semana.

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