Militares voluntários ou contratados insuficientes e insatisfeitos, indica estudo

Lisboa, 12 abr 2019 (Lusa) -- Os militares portugueses em regime de voluntariado ou contrato estão insatisfeitos com o percurso profissional nas Forças Armadas (FA), especialmente no Exército, mas os três ramos queixam-se também de baixos salários.

As conclusões são de um trabalho que juntou académicos e especialistas do Ministério da Defesa e que esteve na base de um plano de ação para a profissionalização do serviço militar, que é hoje apresentado.

Com o plano, o Governo pretende reverter a cada vez mais baixa adesão dos jovens ao serviço militar, que há 15 anos deixou de ser obrigatório. O estudo começa por referir esse facto, a "marcada contração" que se tem verificado no efetivo dos militares contratados e voluntários, especialmente no Exército.

"Efetuando um contraste direto entre 2008 e 2018, evidencia-se que a Marinha diminuiu o seu efetivo em 59%, o Exército em 34,6% e a Força Aérea em 36,6%", diz-se no estudo, no qual se mostra que o Exército chegou a ter, em 2010, cerca de 14.000 militares voluntários e contratados, terminando 2018 com menos de 7.500.

O estudo faz uma caracterização sociodemográfica dos militares e o que os motivou a ir para as FA, e na satisfação diz que os níveis "não são muito elevados" quanto ao percurso profissional.

Segundo o trabalho, na Marinha 60% dos militares inquiridos mostraram-se insatisfeitos com o salário, queixando-se também das condições de apoio e das perspetivas de carreira e tarefas que desempenham.

No Exército os militares "mostraram baixos níveis de satisfação na generalidade dos indicadores" e na Força Aérea queixaram-se do fator remuneratório .

Para caracterizar os militares em regime de Voluntariado e Contrato (o estudo incide apenas sobre estes) foram ouvidos 5.136 elementos do Exército, 1366 da Força Aérea e 819 da Marinha. O estudo foi coordenado pelo Ministério da Defesa e teve a coordenação científica de Helena Carreiras, especialista em sociologia militar, do ISCTE-IUL.

Os responsáveis apontam para a necessidade de uma reforma estrutural da formação profissional, um reforço na eficácia dos processos de reinserção, após o tempo de serviço militar, um aumento do número de mulheres nas FA, melhores condições de habitabilidade e apoio nas unidades militares, e "maior integração e coordenação nos processos de comunicação da profissão militar".

O estudo mostra ainda que os militares em regime de voluntariado e contrato são 86% homens, sendo a Marinha o ramo com mais mulheres. Os níveis de escolaridade subiram significativamente em relação a um estudo de há 10 anos.

Em termos gerais o estudo denota que há uma percentagem de militares que dizem que o trabalho que fazem não se relaciona com a especialidade (no Exército foram 30%), e que olhando para os três ramos é a Força Aérea com resultados (de satisfação) mais positivos, seguida da Marinha.

Quanto ao futuro, a maioria dos militares ouvidos da Marinha e da Força Aérea disse gostar de entrar nos quadros da FA. No Exército só 9,6% disse que queria ficar, com a maioria a dizer que queria entrar para as forças de segurança .

O estudo tem como título Militares RV/RC: Características e Perceções.

Exclusivos

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.